A combinação de cores é um sopro de ar fresco para quem chega ao pied-à-terre da embaixatriz Maria Ignez Barbosa no Rio. Carioca, ela percorreu o mundo acompanhando o pai, o embaixador Sergio Correia da Costa, e, posteriormente, o marido, o também embaixador Rubens Barbosa, morando em Roma, Londres, Montevidéu e Washington. “Agora, vivo em São Paulo, mas sempre quis ter um canto no Rio. Comprei um apartamento antigo, no Leblon, que reformei todo. Por coincidência, o vizinho resolveu vender o dele e juntei os dois para ter mais espaço”, conta ela, jornalista de profissão e autora de livros sobre decoração e design. “Procurei aproveitar e reciclar o que tinha. Partindo de um tecido de forrar colchões, vermelho, revesti um dos sofás. Aí, resolvi usar essa cor em outros estofados, tapetes e detalhes do living, contrastando com o azul que cobre o fundo do quarto. Até mesmo as barras das cortinas foram adesivadas de vermelho”, detalha. Ajudada pelo arquiteto Marcelo Possidonio, Maria Ignez deu unidade aos dois imóveis mantendo o piso de vidrotil branco na área social.
Quando está no Rio, a embaixatriz costuma juntar os amigos em “piqueniques noturnos”, usando a charmosa cozinha aberta para a sala que tem uma bancada em pinho-de-riga. No geral, peças de artesanato brasileiro dividem espaço com objetos garimpados pelo mundo. “Os bonecos articulados do Ceará me lembram os usados por artistas antigamente e que hoje valem fortunas.”
Nada formal, Maria Ignez gosta de toques bem-humorados. No hall de entrada, pintou numa das portas inutilizadas a frase “Isto não é uma porta”. Mesmo com toda a bagagem acumulada em seus postos no exterior, ela valoriza muito a cultura brasileira. “Eu tinha uma galeria de arte, a Múltipla, em Brasília, desde 1972. Em uma viagem a Recife, conheci a casa da arquiteta Janete Costa, que me ensinou muito sobre nossa arte popular. Fizemos uma sociedade e abrimos uma loja ao lado da galeria que passou a vender também móveis, estofados e tapetes. Durou uns 20 anos.”
Uma grande porta de correr, de madeira pintada de branco com recortes geométricos, isola o quarto principal da sala. Alguns móveis foram comprados na feirinha de antiguidades do Bexiga, em São Paulo, outros em Montevidéu e muitas peças foram reformadas. A chaise está forrada com uma colcha inglesa antiga e o móvel art déco do living foi pintado de branco e vermelho. Sobre ele fica outra brincadeira da moradora: um quadro encontrado num mercado de pulgas que ela chama de “A antepassada”. Caixinhas antigas de madeira com vistas do Rio e um fragmento de toile de jouy emoldurado também não passam despercebidos, assim como o tambor nordestino que serve de mesinha de apoio. “Ele me lembra os tambores do exército inglês. O duque de Windsor e o fotógrafo Cecil Beaton também usavam como decoração. Eu sempre me divirto buscando esses achados durante minhas viagens.” Trouvailles de embaixatriz.
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