O GÊNIO DA CASA BRANCA (13 de agosto de 2006)
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| Vista externa de Monticello, com suas rotundas, colunas, clarabóias e avarandados em meio a tulipas |
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| Cama embutida no quarto de hóspedes |
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| Sala de chá com estátuas clássicas |
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| Criado mudo desenhado por Jefferson |
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| Thomas Jefferson |
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| Gabinete de trabalho de Jefferson: alem das engenhocas utilitárias, a poltrona clássica ganhou rodinhas, certamente uma inovação |
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| Estante giratória, inventada por ele, facilitava a consulta de livros |
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| Elevador criado na lateral da lareira, para a garrafa de vinho |
Thomas Jefferson, terceiro presidente dos EUA, deixou seu legado na história arquitetônica americana.
Além de ter ficado na história como o congressista que redigiu, em 1776, a famosa Declaracão de Independecia dos Estados Unidos, de ter sido embaixador de seu pais na França, Secretario de Estado de George Washington e, em 1780, o terceiro Presidente da Republica de seu pais, o democrata Thomas Jefferson, grande admirador da obra do renascentista Andrea Palladio, foi um arquiteto auto didata que deixou também muitos legados em matéria de design e um forte registro na paisagem arquitetônica americana.Embora autor de um documento que proclama que todos os homens tem direitos iguais independentemente de sua origem e que o Governo deve ser o servidor e não patrão do povo, Thomas Jefferson nasceu fazendeiro e cedo, aos 21 anos, herdaria de seu pai grandes plantações e também muitos escravos. Normalmente eram 200 distribuidos pelas muitas terras, quase metade deles com menos de 16 anos. Foi então que começou sua longa historia de amor com Monticello, a casa central a que retornava sempre, reformando e expandindo e onde morou durante os ultimos 17 anos sua vida. Foi alî que, jovem, viveu com Marta Skelton que, aos 10 anos de casada faleceu, depois de seis filhos nascidos tendo somente dois deles alcançado a vida adulta.
Apenas a plantação de Monticello abrigava uns oitenta desses escravos. Consta que, Jefferson em vida teria libertado dois, deixado em testamento a liberdade de mais cinco e teria decidido não perseguir outros dois que haviam fugido. Todos seriam eximios comerciantes e membros da familia Hemings, da escrava com quem teve uma filha em Paris e cujos descendentes vivem assumidos dessa origem até hoje.
Da França, onde conviveu e estudou a cultura europeia, Jefferson mandava para Monticello sementes, plantas, estatuas, instrumentos cientificos, desenhos de arquitetura e muitos livros, esses que Jefferson, no final de sua vida e bastante endividado, vendeu para o Governo e que foi o nucleo da hoje famosa Library of Congress. Entre eles os Quatro Livros de Arquitetura de Andrea Palladio aos quais se referia como a Biblia. Influenciado pela observação in loco e pela leitura de textos sobre a arquitetura moderna e antiga acabou criando um estilo hoje claramente americano que viria a transparecer em seus proprios desenhos.
Como Secretario de Estado Jefferson foi responsavel pelo projeto do Distrito Federal de Washington. Trabalhando com o Mestre Pierre Charles L’Enfant, contratado para a empreitada, ele ajudou a esboçar o seu plano piloto e foi ouvido na escolha dos projetos para os muitos predios governamentais. Segundo ele tratava-se de uma oportunidade para “aprimorar o gosto de seus conterraneos apresentando a eles maquetes para estudo e imitação”. Quando convidado ele mesmo a projetar o Capitolio na Virginia, seu estado natal, Jefferson também achou que estava diante da oportunidade de “introduzir no estado um exemplo de arquitetura no estilo classico da antiguidade”. Atribui-se `a influencia de Jefferson o fato da maioria dos predios governamentais americanos serem de estilo neo classico. Dai o historiador de arquitetura, o americano Fiske Kimball, ter declarado que “Thomas Jefferson foi o pai da nossa arquitetura nacional.”
Além de seu trabalho em Monticello, hoje transformado em Museu, foi na Universidade da Virginia que Thomas Jefferson pode melhor provar sua capacidade profissional e seu talento arquitetônico. Tinha a esta altura da vida 76 anos. Incansavel, batalhou pela autorização da cátedra, pelo terreno, fez os desenhos, planejou o curriculum e foi o seu primeiro Reitor. Os prédios iniciais foram projetados formando uma “vila acadêmica” onde estudantes e professores viveriam, aprenderiam e ensinariam numa grande comunidade. Cada prédio seria um modelo independente de arquitetura além de moradia e abrigo. Das edificações originais, a Rotunda, inspirada no Panteon de Roma, até hoje chama atenção por sua ousadia. Trata-se do Campus universitário considerado por muitos americanos como o mais belo e importante do pais. Basta dizer que em 1987 as Nações Unidas incluiram a “vila acadêmica” na lista de patrimonios da humanidade.
Em Monticello, além da casa e dos jardins, Jefferson se preocupava com a iluminação, com o aproveitamento dos pequenos espaços, com o desenho de portas, janelas, armarios, relogios, candelabros, urnas para café, até mesmo cortinas. Gostava de embutir camas, de espelhos concavos, monta cargas, estantes giratórias, de bancos mecanizados. Seus proprios aposentos foram apelidados por um hóspede de “sanctum santorum.” Inspirado por uma disposição de ambientes que havia visto e apreciado na França, Jefferson criou quatro espaços interligados; quarto de dormir, estúdio, estufa e pequena biblioteca. Nessa, digamos, suite- apartamento ele se dedicava aos seus múltiplos interesses que iam da arquitetura a astronomia, passando pela ciência e pelas plantas. Segundo as memórias escritas por Isaac, um de um seus escravos, consertar instrumentos e trabalhar na feitura de pequenos moveis, era para sua mente um relaxamento: - “Meu mestre tinha uma mão jamais vista para fazer chaves, cadeados e pequenas correntes em ferro e cobre”.
Jefferson gostava de engenhocas, de possui-las e também de inventá-las. Em seu estudio tinha as mais variadas ferramentas para observar, medir e registrar a natureza. Influenciado por pensadores do iluminismo como Isaac Newton, Jefferson acreditava que um sistema ordenado racionalmente governava a natureza e que, em se aplicando essas regras `a ciencia, a condição do homem poderia ser muito aprimorada. Gostava do lado cálculo, matematico da astronomia. Quando Secretario de Estado instaurou no pais o sitema decimal para a moeda e lutou, embora sem sucesso, pela adoção de um sistema também decimal para pesos e medidas. Foi Presidente da Sociedade Filosofica Americana durante 17 anos e é hoje reconhecido nos Estados Unidos como um pioneiro em varios ramos da ciência como a paleontologia, a etnologia, a geografia e a botanica.
Se fosse vivo, certamente estaria conectado a internet e arquivando e-mails e documentos. Seu estudio ou gabinete em Monticello é considerado por muitos como o mais antigo dos escritórios modernos. Octogonal, em formato muito de seu gosto, alí uma pequena estante gira, a poltrona também e a mesa tem rodinhas. Sobre esta um polígrafo, a copiadora que inventou e que duplicava as muitas cartas que escrevia e que organizava em conjuntos por ordem alfabética e cronologica. Em vida escreveu ao menos umas 20.000 e respondê-las acabou se tornando um suplício do qual muito se queixaria, também em cartas.
Foram cinco décadas a serviço de seu pais, sob varias vestes, formas e circunstancias. No entanto, aquilo que foi o seu maior divertimento e paixão, a arquitetura, é o que ainda hoje lhe traz louros e lhe amplia a imagem. Em 1993, por ocasião dos 250 anos de seu nascimento, o Instituto Americano de Arquitetos o homenageou postumamente com uma medalha de ouro por uma vida de grandes realizações e significativas contribuições para a arquitetura e o meio ambiente. E mais recentemente, em 2001, Monticello foi escolhido para sediar a cerimonia de entrega do Pritsker Prize, considerado o maior premio de arquitetura do mundo.








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