O ELEITO DOS CHIQUES DE NY (04 de setembro de 2005)
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| Em fotos de reprodução, um ambiente criado por Billy Baldwin |
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| Billy Baldwin, que primava pelo trabalho limpo e enxuto. Alguém que exigia acabamentos irretocáveis |
Billy Baldwin foi o pioneiro do American look e decorous para Cole Porter e Jaqueline Onassis.
Não é qualquer decorador que tem na vida a oportunidade de poder colocar num projeto uma pintura de Goya, como aquela do menininho de terno vermelho que hoje está no Museu Metropolitan em Nova Yorque. Pois Billy Badwin teve esta chance, e também a de fazer casas e apartamentos legendários para pessoas famosas, interessantes e cheias de estilo como Cole Porter, Paul Mellon, Diana Vreeland e Jaqueline Kennedy Onassis,Bem nascido em Baltimore, terra também da Duqueza de Windsor e de Pauline de Rothschild, ambas por sinal mulheres de extremo bom gosto e que dele se tornariam grandes amigas, o refinado Billy foi descoberto por Ruby Ross Wood, decoradora de sucesso em Nova Yorque , que o contratou em 1935 por $35 dolares semanais e para quem ele trabalhou até a sua morte em 1950.
Pessoa agradável, inteligente e bem informada, era popular entre os amigos. Não afetava esnobismo, mas rejeitava qualquer traço de vulgaridade. O barroco, o florido, e o rococo não eram com ele. O resultado de seu trabalho era limpo, enxuto, podado. Qualidade e eximio acabamento eram fundamentais. A cor ,para ele,era a grande transformadora e dizia orientar-se pela paleta de Matisse. Sendo clássico e moderno ao mesmo tempo e apesar de sensível a influencia europeia, pode-se dizer que foi ele o primeiro decorador a realmente fazer um “look” americano e mostrar que o bom gosto não tinha de vir sempre de fora. De Jean Michel Frank dizia que foi o ultimo genio do movel frances e antes de qualquer pessoa em NY ter ouvido falar de Madeleine Castaing ele já usava os seus tapetes, cadeiras , bancos e propagava a noção romantica de uma vida refinada em todos os sentidos. Uma vida agradável e atraente englobaria a seu ver não só a casa esteticamente arrumada mas também estilo e sofisticação na maneira de vestir, de receber, de viajar, e de se comportar da pessoa. Ruby Ross Wood, mulher de bom gosto, casada com um homem refinado e cujo hobby eram as caçadas, era para ele o exemplo de alguem que conhecia a receita desse viver com estilo que ele tanto admirava. A ela, que havia sido a “ghost writer” do livro de Elsie de Wolfe, “The House in Good Taste”, ele devia sua carreira.
Ao contrario de tantos decoradores (nao gostava da expressão designer de interiores) não acreditava em começar um trabalho do zero. A participação do cliente era para ele importante, estimulo e alavanca para o seu trabalho.” O cliente não pode sentir que está na casa de outra pessoa”, dizia ele. Para muitos deles fez todas as casas, a da cidade, a de campo e a da praia. A escolha das cores não deveria estar também sujeita a modismos mas as preferencias do cliente. Em cima disso ele seria infalivel em materia de equilibrio, proporção, e justaposição. Se dizia também um promoter do algodão. Gostava de estampas não confusas, listras, e muito tecido liso. Quando usava seda esta tinha de parecer algodão. Nada de riqueza conspíqua. O luxo para ele estava justamente na simplicidade, no bom desenho e na qualidade. Usou e abusou das “parson tables” com suas linhas retas, laqueadas ou forradas de palhinha. Gostava de móveis de bambu e rattan. Difundiu a depois tão comum “slipper chair”, aquela poltrona sem braço e inteiramente revestida em tecido. O movel tinha de ser confortavel e os objetos ter função. “Cadeira é para sentar, não é bibelô ,assim como cinzeiro tem de poder ser usado,”afirmava. Era comum, num segundo ambiente de uma mesma sala ele colocar um pequeno sofa em L e uma mesa que poderia ser mesmo de jantar. Seus sofas eram baixos de modo a não invadirem o espaço. Detestava o que era falso, tipo lareira ou livros. Esses, os verdadeiros, eram outro elemento importante em suas decoraçoes. Preferia cúpulas de papel laqueado . Nada daquelas em seda com preguinhas. Desdrapejou cortinas e aboliu o cetim. Seu universo era afinal um pais jovem, rico e uma cidade nova e pujante como Nova Yorque. Podia usar nas paredes quadros modernos e abstratos. Um de seus trabalhos mais fotografados foi o apartamento que fez para Woodson Taulbee em Manhattan para onde mandou fazer sob medida para forrar sofa e poltrona, um tecido branco e preto baseado num desenho de Matisse que se impunha na parede lindamente emoldurado em preto e dourado. A mesa em frente aos sofas era branca e “parson” e um biombo preto coromandel ficava na lateral. O tapete, “cogolin” era branco com um leve traçado geometrico preto. As luminarias de pé douradinhas, ainda tão complementares são uma marca sua. Em compasso com o seu tempo, muitas vêzes também usava as mesas “saarinen”, tão despojadas e que os arquitetos modernos ainda hoje tanto recomendam.
Outro apartamento que até hoje serve de inspiraçao para muitos decoradores é o que fez para Cole Porter no Waldorf Astoria onde laqueou as paredes em marron chocolate brilhante e colocou um par de estantes estilo diretório feitas com tubos de bronze dourado do chão ao teto. Alí usou poltronas Luis XV e XVI revestidas em couro mostrando que em um ambiente moderno é possivel usar elementos do passado sem que o conceito se altere.
Muito conhecido também ficou, até porque já virou cenário de teatro na peça sobre sua vida, foi o apartamento que decorou para a jornalista e papisa em assuntos de moda, a voluntariosa e elegante Diana Vreeland. As paredes da sala foram pintadas de vermelho “vermillon”, um verdadeiro “garden in hell” como ela se referia a esse ambiente com a cara e a cor preferida de sua dona.
Billy Baldwin ao completar setenta anos decidiu se aposentar. Mudou-se para Nantucket onde na praia encontraria o que considerava o verdadeiro luxo, ou seja, uma vida privada e tranquila. (04 de setembro de 2005)


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