MME CASTAING REVIVE NO BRASIL (03 de julho de 2005)
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| Retrato da decoradora, pintura de Soutine que pertencie ao Metropolitan, em NY |
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| Banheiro da casa de Castaing, com o vitral sobre a pia e os abajures da cor do teto |
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| Sofá marquise em tecido azul e veludo leopardo Napoleão III e palmeira em latão |
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| Cadeira dobrável em madeira preta |
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| Cadeira dobrável em madeira dourada, do século 19 |
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| Mesa retangular de ferro com tampo furadinho |
Peças da famosa designer francesa, arrematadas em leilão em Paris, estão a venda em antiquário paulistano.
Dona de um estilo muito próprio, Madeleine Castaing foi
uma das maiores “taste makers” da decoração durante todo século 20.
Tendo morrido aos 98 anos, em 92, é hoje uma legenda , personalidade
cultuada por decoradores e designers contemporaneos.Faz falta, em Paris, pois até o ano passado ainda se podia caminhar pela Rue Jacob, e fazer uma parada em sua butique, situada bem em baixo do apartamento onde sempre morou e onde, até sua morte, podia ser encontrada quando não estivesse na casa de campo em Leves. De peruca atada ao queixo , roupa sempre original e enormes cílios postiços.
Enquanto nos anos 20 e 30 o mundo se deixava seduzir pelas linhas retas do Art Dêco, Madeleine foi impondo seu estilo pessoal e tão reconhecível. Decididamente uma não modernista, parecia buscar no sonho ou em romances o clima dos ambientes que criava. Seu estilo, se poderia descrever como o de um passado reinventado, o que o situava com graça e leveza no contemporaneo . Nada de pomposo ou palaciano, mas dimensões humanas, acolhedoras e cheias de charme e elegância. Em seu trabalho ja se podia sentir a influência russa, baltica e biedermaier que apenas muito mais tarde e até hoje passaram a surgir no trabalho de decoradores importantes. Tendo lido Proust doze vezes, dizia sabê-lo de cór. Atribui-se a isso a depuração de um estilo plantado no século 19 mas que nunca caiu na repetição e na monotonia .
Seus tons iam do verde escuro garrafa ao menta clarinho, do azul aturquezado ao céu ou ao profundo ultramarino. Misturavam-se em listras, em paredes forradas com tecidos lisos ou frazidos, debruadas com barras pintadas ou popons, estofados acetinados, cúpulas pretas ou verdes de papel laqueado , carpete de oncinha ou com motivos de folhas e flores. Nos lustres de bronze também, folhas e flores em cristal. Era apaixonada por palmeiras. Nada de tapetes persa e o bege não entrava em sua paleta. Buscava em feiras e brechós pelo interior, os móveis e os objetos originais e inesperados que usava em seus trabalhos. Uma cadeira com pernas de mulher que havia pertencido a um bordel é uma mostra de suas escolhas curiosas e morava em seu banheiro em Leves. Foi recentemente vendida no leilão organizado pela Sotheby’s por um valor muito maior do que o previsto, como aliás praticamente tudo o que a ela pertencia e se encontrava ainda na casa de campo, no apartamento ou na loja da Rue Jacob. Basta dizer que um par de “chaises longues” em madeira esculpida dourada e prateada, estofadas em veludo verde, estimado em 15 a 20 mil euros, foi vendido por 52 mil euros, fora a comissão cobrada pela casa de leilões.
Uma preocupação sua era a harmonia do de dentro com o de fora, uma integração que ela levou à perfeição na famosa casa de campo de paredes externas azuladas e janelas turqueza ,um presente do marido Marcelin Castaing com quem fujiu aos dezoito anos da casa dos pais para se casar, Industrial , crítico de arte e um apaixonado pela mulher a vida inteira, quiz dar-lhe um espaço onde justamente pudesse expandir o seu talento, Ali, com o olhar de artista que ela incorporou `a decoração, criou um jardim muito verde e cheio de estatuas, mesas e cadeiras de ferro , bancos de pedra e também terraços cheios de hera e com móveis de vime e bambu como num romance de Balzac ou Stendhal . A partir de então, no pré e no pós Guerra, ela se tornaria uma das mais requisitadas profissionais da decoração e em sua loja se podia encontrar antiguidades, as reproduções de seus objetos preferidos , e mais os carpetes e tecidos por ela desenhados.
Desse ambiente madeleiniano, um pouco acaba de chegar ao Brasil , através do olhar e pelas mãs da antiquaria Juliana Benfatti que pegou um avião e foi até Paris para o leilão e que conseguiu trazer para Sao Paulo algumas preciociosidades deixadas pela famosa designer. São bancos de ferro, mesas de jardim, um relógio de parede diretório, carrinhos de chá de bambu, uma palmeira dourada , um banco meia lua em seda azul ultramarino e poltronas Napoleão III onde em outras épocas se sentaram os amigos do casal Castaing ,como Soutine , Modigliani, Picasso e Louise de Vilmorin .
Quem quizer entrar nesse mundo mágico de Madeline Castaing pode ir até a Rua Sampaio Vidal 786 onde, na vitrine, já está pendurado o lustre de bronze com folhas verde opalinado e copos de leite em cristal e que em Leves iluminava o quarto da famosa decoradora . É a peça mais cara do lote trazido e custa 53.000,00 reais. Nao desanime. Por menos, ou seja , por 8.900 ,00 reais você pode levar um “love seat” Napoleão III, forrado de oncinha que aparece na revista World of Interiors de setembro de 2004 numa bela materia sobre a decoradora francesa. Ou uma mesa redonda de jardim por 2.600,00 reais A peça mais barata é um relogio de parede em estilo diretorio que sai por 1.000,00 reais.
FONTES DE INSPIRAÇÃO ou PARA ENTRAR NESTE MUNDO ou ENTRE NESSE UNIVERSO …..?






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