LUXO QUE AINDA É MODA (22 de outubro de 2006)
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| Sala da casa de key West que Donghia comprou nos anos 70: ele conseguiu a elegância informal, encapando poltronas com algodão branco e usando móveis de bambu |
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| Clarabóia em forma de quadrados e o contraste do branco com o padrão dos sofás e o tapete em cores fortes |
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| Angelo Donghia, em sua town house, no começo dos anos 70, a sala tinha paredes verdes, chão descolorido e móveis claros com pés avantajados |
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| Estante esconde canos e o pequeno sofá de madeira foi laqueado e ganhou almofadas em algodão também branco |
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| A casa do decorador em Connecticut, anos 80 |
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| Angelo Donghia |
O estilo singular de Ângelo Donghia, decorador do casal Trump e de outros famosos, continua em alta, nos EUA.
Apesar de ter morrido jovem, em 1985, com apenas 50 anos, Angelo Donghia ainda se faz presente, não só através dos múltiplos showrooms nos Estados Unidos que vendem os moveis, tecidos, papeis de parede, passamarias e artefatos de iluminaçao criados por ele, mas na lembrança de muitos clientes e amigos que a ele se referiam como o “homem do sofá de flanela cinza”.Aos onze anos de idade, filho de um bem sucedido alfaiate, foi instado pelo pai a decorar a loja da família em Vandergrift na Pensylvania. Contentes com o resultado, pai e filho, Angelo nunca cessou de ter por parte da família o apoio e o estimulo para seguir carreira na decoração. Cursou a Parsons School of Design em Nova Iorque e em seguida conseguiu um emprego na firma Yale R.Burge onde começou ganhando 75 dolares por semana.
Seu primeiro sucesso foi o restaurante e bar de um clube masculino, o Opera Club, em 1966, dentro da nova então Metropolitan Opera House no Lincoln Center. Na premiere da opera Antonio e Cleópatra de Samuel Barber, mulheres em longos e jóias e cavaleiros de casaca ali se regalaram e, mais , se deixaram encantar pelo que passaram a chamar de o “ urbano luxuoso de Donghia”. O teto era prata metálico, os candelabros de vidro azul e as cadeiras em estilo regência estofadas em preto.
Em seguida, de vários dos presentes, Angelo recebeu pedidos para decorar apartamentos. E pelo patrão Burge foi transformado em sócio. Até porque este também já teria percebido que Donghia não tinha apenas talento e criatividade como designer, mas também o dom para bons negócios e para fazer dinheiro. A companhia passou a chamar-se Burge-Donghia. Independentemente de Ângelo, Yale Burge tinha uma pequena industria de moveis e estimulou o amigo a que também criasse a sua própria, pois alem dos trabalhos como decorador, cada vez mais ele se via desenhando moveis, tapetes e tecidos. Foi ai que surgiu a “& Vice Versa” em 1968. Rápido Angelo Donghia percebeu que mais interessante do que ter suas criações em showrooms de terceiros, deveria abrir os seus próprios. O primeiro foi em Los Angeles, depois Troy, Michigan, Chicago, Miami e por ai afora. Quando morreu, alem de já ter herdado a parte de Burge, Ângelo deixou funcionando a pleno vapor uma firma de tecidos, outra de moveis, e ainda uma de lincenciamentos. Showrooms continuavam a ser criados e a Donghia Foundation já se destacava fazendo doações para Parsons School of Design e concedendo bolsas de estudos a estudantes na área de design de interiores.
O decorador sabia explicar e filosofar sobre o próprio sucesso: - É muito fácil ser criativo na área do design mas é muito difícil ganhar dinheiro. Como designer a gente se especializa em coloridos, em arrumar graciosamente ambientes mas lidar com dinheiro é outra coisa. Fui criado por um pai que era um tremendo homem de negócios. Sempre estive exposto a um esforço constante no sentido de fazer um negocio crescer. Acho que também me ajuda nunca ter tido medo do fracasso. Sei que sou jeitoso com as mãos, que saberia sobreviver, que não morreria de fome.
Quando Burge e Donghia se tornaram sócios, também os interiores produzidos pela firma ganharam um estilo mais definido. Sob a influencia de Ângelo, o moderno e o antigo passaram a conviver de um modo mais contemporâneo, numa nova interpretação de idéias clássicas. Os sofás e poltronas ganharam proporções generosas. Braços gordos, arredondados, assentos convidativos. Os moveis também eram grandes, super dimensionados. Poucos e grandes elementos bastavam para compor um salão. Nada tinha pequena dimensão. Cores monocromáticas e a flanela cinza que tanto encantou as novaiorquinas se tornaram uma marca muito sua. Com sucesso produziu e vendeu até baldes de gelo cobertos por esse material tão masculino. Também ficou conhecido pelo luxuoso sutil dos tetos prata metálico, das paredes laqueadas, pelos tacos descolorados e por usar apenas poucos e nunca pequenos objetos.
Os anos 70 e 80 foram de sucesso incessante. Para Ricky e Ralph Lauren fez o duplex em Manhattan com muita geometria e superfícies lisas e lustrosas impecáveis. No apartamento de Mary Tyler Moore colocou lustres de cristal a pedido da dona e o quarto de outro cliente feito em 1981 ganhou enormes telas de Francisco Botero. Eram também seus clientes, Donald e Ivana Trump, Bárbara Walters, Diana Ross, Halston e Neil Simon. Decorou ainda o Omni International Hotel em Miami, o Intercontinental de New Orleans, e os headquarters da PepsiCola em Purchase,Nova Iorque .
Não achava que o sucesso lhe fosse coisa devida, nem que trabalhasse só pensando nisso: - Ao mesmo tempo não vou andar atrás do fracasso. Vou trabalhar duro e seguir as regras que facilitam o sucesso e que são, a meu ver, conquistar a confiança do cliente, fazer escolhas que agradem as pessoas, ter gente trabalhando comigo que me apóie e que não queira me suplantar. Acredito muito também na integridade e em manter acordos e compromissos.
Nesse período, mais do que qualquer outro decorador, conseguiu criar ambientes modernos e ao mesmo tempo sensuais, luxuosos e aconchegantes. Enquanto arejados, simples e meticulosamente bem talhados –“Aprendi com meu pai a cortar calças e paletós”- eram também românticos, convidativos, e sempre jogando com a cor e a forma.
Não acreditava em grandes segredos em matéria de decoração: -O móvel tem de atender `a sua função. Um sofá tem de ser confortável. Uma poltrona para ler não será uma espreguiçadeira e vice e versa. As mesas de jantar podem servir a outras finalidades e podemos fazer refeições em outras salas que não a de jantar. Lembrava que janelas existem para que passem ar e luz e não como desculpa para cortinas elaboradas. Menos e maiores peças de mobiliário e apenas poucos e importantes acessórios talvez fosse o seu maior segredo, ou a fórmula que deu certo. – Livre-se do desnecessário. Não há mistério em matéria de combinação de cores. Pense nas cores que prefere usar no seu dia a dia e também na maneira que a natureza põe as cores lado a lado. Nunca esta combinação será feia.
Perfecionista confesso, decorou inúmeras vezes sua town house novaiorquina. Quando comprou uma propriedade de quarenta e dois hectares `a beira de um lago em Connecticut derrubou a casa existente em estilo Tudor e começou do zero. Por outro lado, fez questão de preservar uma casa octogonal e um tanto excêntrica, hoje famosa, em Key West e que comprou por 45 mil dólares em 1976. Decorou-a apenas com móveis em rattam e poltronas cobertas com generosas capas brancas, criando um clima elegante e informal ao mesmo tempo e tão fotografado por revistas de decoração. Consta que, em 1980, a vendeu por quinze vezes mais. Mais um bom negócio. Lamentavelmente não viveu para mais contribuir e mais gozar do que soube amealhar.






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