LIÇÕES DE SISTER PARISH (27 de agosto de 2006)
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| Em reproduções do livro Parish Hadley e Architectural Digest, Sister já de cabelos brancos |
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| Passagem para um pátio interno decorado por ela, o fundo rosa do papel chinoiserie garante o ar leve e romântico |
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| Retratos a óleo ingleses e americanos de cachorros, outra marca das decorações de Sister Parish. Neste hall ela criou uma autêntica galeria de arte ao longo de uma escada |
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| Exemplo de decoraçãomarcada por seu lado mais romântico |
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| Saguão de entrada de sua casa em Nova York, com objetos requintados |
Essa anglo-americana com cara de vovó tinha na ousadia da decoração, sua marca registrada.
Tradição, bom gosto e aconchego era com ela, com esta anglo-americana com cara de vovó, grande dama da decoração nos EUA. Bem casada e do mesmo nivel social de sua clientela, Mrs Henrish Parish II, ou Sister Parish trabalhou sem tréguas desde as primeiras decadas até quase o final do século XX. No meio dos anos 60, quase aposentada, aceitou como parceiro o também famoso decorador americano recentemente falecido Albert Hadley que agregou-lhe profissionalismo e juventude: -“Ter conhecido Albert salvou-me a vida.” – é o que dizia, generosa.Nascida em 1910, Dorothy May Kinnicut, apelidada Sister pelo irmão, surgiu como mais uma entre tantas meninas bem nascidas que resolveram fazer de decorar a profissão. Casou, aos 19 anos, no que se poderia chamar de aristocracia americana. O avô do marido fora Presidente do Bank of New York e consta que as meninas Parish aprenderam a patinar sobre um tapete Aubusson que mais tarde viria a cobrir o chão de sua primeira casa. Desde cedo chamou a atenção pelo seu jeito meio ingles e também original de arrumar um ambiente. Aos tres meses de recem casada, gravida, a decisão foi morar no campo, em Far Hills, e alí, numa pequena fazendinha, sem medo do que pensariam de seu gosto, surpreedeu a sogra ao pintar de branco os moveis escuros da familia, com os arbustos de ficus que colocou nos quatro cantos da sala em cestos de palha e ao transformar pano de colchão e toalhas de mesa adamascadas em cortinas com o brazão da familia pintado de roxo. Ciente da propria capacidade em produzir algo original, nunca achou que não estivesse apta a dar palpites se solicitada. Tres anos depois, quando a famosa depressão americana atingiu em cheio as finaças do sogro e do marido, Sister não hesitou e partiu para o trabalho. Por 35 dolares ao mês alugou uma pequena sala no centro de Far Hills onde instalou uma escrivaninha, uma poltrona de vime e na porta a placa com os dizeres Mrs Henris Parish Interiors.
Era admiradora de Sybil Colefax, a inglesa fundadora da famosa firma que tão bem soube traduzir o estilo “english country” e que existe até hoje, Colefax & Fowler. Personalidade, conforto, vibração e qualidade era o que transparecia em seu trabalho. Nem depois de muitos anos de profissão passou a usar a escala, o metro ou a desenhar plantas baixas. Seu olhar, intuição e sentido de proporção pareciam bastar. Gostava de camas com dossel, de chints florais, moveis pintados, “throws” sobre poltronas e sofás. Tinha também uma queda por paredes amarelas, pelo azul lapis-lazuli, por chãos pintados e tingidos, almofadas de petit point, organdi engomado, gravuras botanicas e pinturas de cachorro. Arranjava um ambiente como se estivesse pintando um quadro. Uma das cores do tapete iria para a parede, as estampas conteriam aquelas mesmas cores e, no meio de tudo, peças originais, não só antigas europeias mas também americanas coloniais. Foi também uma pioneira no uso do artezanato americano na decoração de interiores abastados. Podia, com graça, misturar o quilt americano com moveis ingleses e franceses pintados. O interior de suas cúpulas eram sempre forrados de cor de rosa. Numa época de poucos recursos no setor da iluminação, era uma maneira de dar ao ambiente um tom mais quente e romantico.
Tudo o que fazia tinha de parecer já vivido. Dizia-se que era seu o “undecorated look”.
Nunca se preocupou com tendências. O aspecto geral era sempre claro, vibrante. Podia usar um tapete Aubusson, um espelho Chippendale ou um lustre de crystal Waterford mas sem afetação, sem precedencia em relação as outras peças, sobretudo sem a pretensão de agregar status. Acreditava que os ambientes tinham de ser atemporais e, sobretudo, muito pessoais. Partia do principio que os clientes eram pessoas diferentes, com necessidades e preocupações proprias a cada um. Inovar, para ela, era a abilidade de pesquizar, buscar no passado e, dalí, trazer o que fosse bom , bonito, útil e duradouro. `A epoca era considerada modernamente “vintage” e ao mesmo tempo moda. Imitá-la não era fácil. Nada de ares nostalgicos, de coisa déjà vu, de decadencia. Apesar da influencia inglesa sua estética nunca deixou de ser americana e original. Passava, apesar de firmemente apegada ao estilo aconchegante do velho dinheiro, a idéia também de luxo, opulencia e glamour.
O decorador Billy Baldwin não se cansava de dizer que seus salões “eram confortaveis para quarenta e confortaveis para quatro.” E que os quartos de dormir que fez “foram os mais atraentes, sedutores, e luxuosos jamais feitos por um decorador americano…simplesmente a melhor coisa já feita na historia dessa arte.”
Seu gosto e juizo eram certamente inatos embora tenha desde cedo sido exposta, no ambiente dos pais abastados, a antiguidades e a coisas belas. Nada nela parecia aprendido, trazido da escola. Costumava dizer que “o perfeito para ser perfeito tem de ser imperfeito”.
Décadas depois de sua estréia em Far Hills, Sister ostentaria como clientes uma lista de sobrenomes famosos como Astor, Vanderbilt, Whitney, Paley, Mellon, Getty, Engelhart, Annemberg, Bronfman e Rockfeller. Foi ela quem decorou a pequena casa de Georgetown para Jackie e o então jovem senador John Kennedy. Alguns anos depois, o casal já na presidencia, ela seria chamada a fazer parte de um conselho criado para cuidar da restauração da Casa Branca. Foi também convidada para fazer a ala intima da residencia presidencial, inclusive o salão oval do segundo andar onde Kennedy costumava receber chefes de estado. Com seus conhecimentos e transito entre a elite endinheirada, ainda ajudou na arrecadação de fundos para a realização dessas obras e para a decoração. Jackie Kennedy, no entanto, acabou por dar mais ouvidos ao francês Stephane Boudin da famosa Maison Jansen de Paris. Pelos corredores correu que Sister, considerada então a primeira dama da decoração americana, teria se afastado da Casa Branca depois de ter sido vista por Jackie dizendo a pequena Caroline que tirasse os pés de cima de um sofa.
A partir da parceria com Albert Hadley foram mais quase trinta anos de atividade ininterrupta. Podia ser afetuosa mas também muito impaciente. Era conhecida por ir direto ao ponto. Apesar da tensão e de eventuais brigas a dupla obtinha fantasticos resultados tanto que depois de sua morte Albert Hadley, falecido alias recentemente, passou a ser considerado o “top” entre os decoradores americanos. Ambos acreditavam que casas podem ter vida e alma e que o belo jamais envelhece.





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