JANELA PARA A ARTE DE DRAPER (02 de julho de 2006)
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| Ambiente decorado por Dorothy Draper, em reprodução do livro Draper touch by Carteton Varney |
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| Lobby do Hampshire House, concluído em 1937 |
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| Caixinhas criadas pela decoradora para a Dorothy Gray |
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| Dorothy Gray |
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| Móvel em estilo chinês |
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| Living da coleção de Dorothy para a Varney & Sons |
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| Lobby do Hampshire House de outro ângulo |
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| Capa do Livro Entertaining Is Fun, de 1941 |
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| Donald Albrecht, o curador da exposição em NY |
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| Mais um ambiente criado por Dorothy |
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Exposição em museu de Nova Yorque resgata o estilo marcante e independente da Americana que deccorou o hotel Quitandinha.
Uma exposição sobre a decoradora americana Dorothy Draper, uma espécie de Marta Stewart dos anos 20 acaba de ser inaugurada no Museu da Cidade de Nova Yorque. Trata-se de mais um evento que, ao lado do lançamento de tantos novos livros resgatando a imagem e o estilo de figuras marcantes da historia do design de interiores, nos abrem uma janela para um mundo curioso e sofisticado que do contrário se dissolveria no tempo.Em comemoração a exposição, até as vitrines da famososa loja de departamentos Bergdorf Goodman foram embonecadas a la Dorothy Draper, ou seja, draperizadas como se dizia `a época, com ousadas molduras barrocas de gesso branco, cores fortes e o chão preto e branco, marcas tão caracteristicas da designer. Também anunciavam um novo livro sobre ela, In the Pink: Dorothy Draper, America’s most Fabulous Decorator, de Carleton Varney, que com ela trabalhou e dela comprou a empresa em 62.
Na rotunda do Museu o teto foi pintado de shoking pink e as paredes com o desenho agigantado de uma das estampas com flores repolhudas que a decoradora criava para seus tecidos. Já de entrada o seu estilo vibrante e cheio de personalidade se faz presente.
Chamada“The High Style of Dorothy Draper”, a mostra analisa varios aspectos da carreira dessa mulher que através de uma coluna na revista Good Housekeeping e programas no radio disseminou de forma pioneira ideias de design num mercado de massa. Fotografias, luminarias, moveis, porcelanas, espelhos, papel de parede e até papel de carta recriam alí o famoso “Draper touch”.
Para Dorothy a decoração tinha de servir ao individuo como um meio de expressão e de realização e não se reduzir apenas `a estilização de um ambiente. Numa estética populista propunha o que chamava de “decoração independente” e assim ia fascinando o consumidor americano com seu traço neo-barroco, elementos superdimensionados, cores vivas e muito ornamento..
Ao contrario de muitas colegas também `a epoca designers de sucesso, ela focava em interiores comerciais, restaurantes, lojas e hotéis. “Em lugar de estar com as mulheres dos altos executivos, juntando amostras de tecidos e discutindo os casos individuais a cada uma, ela preferia estar nos conselhos das empresas dos maridos ”.
Também na mostra o testemunho de seus principais trabalhos, como o Hotel Carlyle e a Hampshire House em Nova Yorque, a Camelia House e o restaurante do Hotel Drake em Chicago, o Greenbier em West Virginia e o Arrowhead Springs Resort e Spa na California. E muitos recortes de jornal, artigos em revistas, anuncios e um raro video de uma aparição da decoradora num programa de televisão.
O “bom” gosto não custa mais caro do que o mau. Na verdade custa menos. É o que ditava esta mulher de temperamento forte que ao mesmo tempo influenciou, entre os anos 20 e os 60, tanto os interiores da elite de Manhattan como as salas das donas de casa do suburbio. Sabia atrair a atenção para si. Não era a toa que o pai a chamava de “Star” (estrela).
Seu colorido bem o Pantone de hoje podia misturar coral com shoking pink ou turqueza, amarelo mostarda, magenta, verde esmeralda e escarlate. Era um mundo em technicolor, cinematografico, dinamico e inventivo. Em seus ambientes era facil imaginar-se em Hollywood, num mundo mágico ou não, mas decididamente de fantasia americana. Seu surrealismo era evidente, não só no uso da escala como também numa certa confusão deliberada que criava entre interior e exterior. Podia criar interiores com fachadas, gaiolas enormes e moveis de jardim como se estivessemos do lado de fora. Ou num cenário. É obvio que se deixou influenciar pelas grandes figuras surrealistas de sua época como Salvador Dali e Elsa Schiaparelli. – “O que se faz hoje para chamar a atenção da midia, ou seja criar teatralidade, chamar a atencão pelo inesperado e assim trazer fama e glamour a restaurantes e ambientes públicos, Dorothy Draper fez antes”, diz Donald Albretch, o curador da mostra.
Foi no Hotel Greenbier em West Virginia que Pierre Balmain muitas vezes mostrou suas coleções nos Estados Unidos. Com sua paleta de verdes musgo, azuis turqueza, rosas açucarados e escarlate com fundo muito branco Dorothy transformava os ambientes em perfeitos cenários. As flores nos estampados eram sempre agigantadas. Sempre lareiras acesas, muita planta, tapetes felpudos e com relevo, tudo traduzindo a opulencia de um pais que se desenvolvia a passos largos.
Foi com essa vibração e muitas cores que Dorothy enfrentou o periodo da segunda Guerra e a recessão que de repente se abateu sobre a economia americana. Foi no começo dos quarenta, como já registrado nestas páginas, que o contrato para decorar o Hotel Quitandinha em Petropolis apareceu para tirar Dorothy do vermelho e traze-la ao Brasil algumas vezes. Um de seus estampados famosos, o Brazilance, foi criado para o Quitandinha e é ainda editado por Carleton Varney. Depois desse periodo para ela nem tão negro, voltou a ter importantes projetos em Nova Yorque como o restaurante do Museu Metropolitan e que só recentemente sofreu alterações.
Nascida em 1889, faleceu com oitenta anos em 1969. Poucos anos antes ainda estava ocupada, desenhando os interiores dos aviões Convair.
Na mostra sobre Dorothy que poderá ser visitada até 10 de setembro por quem se animar a ir a Nova Yorque, num corredor listrado de azul estão expostas fotos de Dorothy desde a época em que era apenas uma bem nascida debutante novaiorquina. Na sala principal foram colocadas 50 peças de mobiliario e luminarias, inclusive a gaiola de pássaros que iluminava o restaurante do Metropolitan. Um sofa curvo e bem pink forrado com a estampa Fazenda Lilly também alí esta, assim como os tecidos por ela desenhados. Além disso menus,convites, caixas de fosforo, tudo o que Dorothy criou já tão consciente de como se propaga de uma marca. Como diz ainda Albretch, “era tudo muito Alice no pais das maravilhas” E o ex-colaborador Carleton Varney anuncia que o look Dorothy está cada vez mais ao alcance de quem ainda por ele se deixa seduzir. Além de novas reproduções de tecidos e papéis de parede a serem lançados em breve por sua empresa ,a Carleton V.Limited, moveis vintage da coleção Varney&Sons para a Kindel já estão accessiveis a decoradores e interessados. Como era de seu jeito e seria de seu agrado Dorothy Draper é novamente centro e frente de atenções.
E para quem não puder ir tão longe como Nova Yorque, que tal uma visita ao decadente Quitandinha em Petropolis? Alí ainda há muitos vestigios do traço forte de Dorothy Draper e de um tempo em que o jogo no Brasil permitiu que tivessemos por alguns anos um pouco desse mundo encantado e rico de sonho americano.










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