IDÉIAS QUE DÃO EM ÁRVORE (11 de dezembro de 2005)

Areca que vira árvore de Natal
tropical nas mão de Leila Catunda

O Fusca e o violão de Sérgio Romagnolo


Árvore multicolorida do
decorador Antonio Neves da Rocha
Galho enfeitado de jóias antigas da
colecionadora Márcia Carneiro de Mendonça

Árvore de máscaras
Árvore africana do decorador Antonio Neves da Rocha

Árvore costureira da estilista
Teca Paes de Carvalho
Galho vermelho com bolas verdes
de Attilio Baschera e Gregório Kramer

Idéias de Maria Ignez Barbosa

          

Elas provam que, para enfeitar o Natal, basta sair do habitual, deixando fluir a fantasia.

Conta a lenda que, na Alemanha, em 1530, o teólogo Martinho Lutero, caminhando pela floresta em noite de lua cheia, encantou-se pela beleza dos pinheiros cobertos de neve e iluminados pelas estrelas e que, depois, com galhos, algodão e outros enfeites, teria tentado reproduzi-los em casa. Daí a origem dessa tradição tão arraigada da árvore de Natal, levada para a América no período colonial e que se espalhou mundo afora, simbolizando alegria, paz e esperança para os cristãos. O que não parece ter sido levado em conta é que, em outros países e paisagens, a visão de Lutero teria sido outra, pois continuamos insistindo na fórmula do pinheiro invernal, na neve que não é nossa e nos enfeites típicos de sempre que, para chamar a atenção, só fazem aumentar de tamanho e também de preço. Isso sem falar na transformação que sofreu São Nicolau, o velhinho generoso de barbas brancas, ele que vestia marrom até o século 19, mas que, uma campanha da Coca-Cola nos EUA, em 1881, mudou para vermelho agregando-lhe o gorro com pompom branco, de acordo com as cores do produto e isso, pelo visto, para todo o sempre, pois é assim que ele parece ter se estabelecido no imaginário infantil. Para este suplemento de Natal ouvimos idéias de criadores que procuram fugir do habitual, permitem-se outras imagens e fantasias, que podem ser soluções até baratas e ao mesmo tempo sofisticadas, como as do designer de festas carioca Antonio Neves da Rocha, chiques e refinadas, caso daquelas de Márcia Carneiro de Mendonça, colecionadora de peças do barroco mineiro, ou inesperadas e poéticas nas criações assinadas pelo artista plástico Sergio Romagnolo.

A árvore tropical

É da artista plástica Leda Catunda a idéia de trocar o velho pinheiro por uma majestosa areca-bambu, no vaso ou no jardim, manter as bolas e deixar os sininhos, lacinhos e neve por pequenos bichos de plástico ou de pelúcia. Para completar, um bocado de marias-sem-vergonha ao pé da árvore (na Galeria Fortes-Vilaça, R. Fradique Coutinho, 1.500, tel.: 11 3032-7066, é possível conhecer os trabalhos de Leda Catunda, ou no site http://sites.uol.com.br/sergioeleda).

A árvore costureira

A árvore da estilista Teca Paes de Carvalho, da IF, é inspirada no seu dia-a-dia e em suas ferramentas de trabalho. Idéia: pegar o pinheiro convencional, enrolá-lo por inteiro com linhas de tricô coloridas e pendurarnos galhos bobinas ou novelos fechados, como se fossem bolas de Natal. Com uma fita de cetim passando por dentro de carretilhas de metal, fazer correntes que vão funcionar como guirlandas. Também com as carretilhas, criar pequenos pingentes e, se quiser, distribuir miniluzinhas coloridas (IF: R. Padre João Gonçalves, 129, tel.: 11 3812-9009).

A árvore multicolorida

Antonio Neves da Rocha tem na ponta da língua várias idéias, vistosas e de custo baixo. Uma delas é, em um pinheiro normal, colocar entre os galhos tufos feitos com papel celofane em cores variadas. Distribuir luzinhas coloridas que farão brilhar o celofane e colocar 40 caixas de lápis de cor, semiabertas, que vão agregar mais um toque de cor –e depois poderão ser doadas.

A árvore africana

Outra idéia também realizada pelo decorador Antonio Neves da Rocha foi a árvore africana. Novamente um pinheiro, no qual se coloca, por entre os galhos, tufos feitos com papel de seda estampado de oncinha. Distribuir luzinhas amarelas ou âmbar, espetar penas em cor natural, levemente marrons, e, dependendo do gosto, pendurar argolas douradas de cortina. Tudo simples e fácil de fazer (tel.: 21 2551-8485)

A árvore vermelha

A árvore de Attilio Baschera e Gregorio Kramer da AGain é um galho pintado de vermelho e com bolas de Natal verdes, não muito grandes, de dois tamanhos diferentes e coladas ao tronco. Deverá ficar dentro de um vaso quadrado de mais ou menos 30 cm x30 cm ou 40 cm x 40 cm, coberto de galhos finos pintados de verde no mesmo tom das bolas. Tudo terá aproximadamente 1,70 m (AGain, R. Alagoas, 651, Higienópolis, tel.: 11 3663-2622).

A árvore mascarada

Em um dos últimos Natais que organizei na Embaixada em Washington, fiz uma árvore supereconômica e de montagem rápida, que consistia em pendurar nos galhos de um bom pinheiro duas dúzias de máscaras brancas, distribuir luzinhas e depois embrulhar a árvore em um grande filó branco. Escolhi o branco pois combinava com o tom geral da sala, dos sofás e das flores brancas com que sempre a enfeitava. Se a cor predominante do living for outra, pode ser a escolhida para um maior realce e harmonia com o ambiente.

A árvore de pernas para o ar

Esta foi outra idéia para um de nossos Natais no exterior e a receita, um pouco mais complexa, é desenterrar um pinheiro da terra, lavar a raiz e pintar com spray dourado. Pendurar no teto com fio de náilon, de preferência perto de um ponto de luz. Fios de náilon de diferentes comprimentos, com pingentes de cristal em diferentes cores e tamanhos, deverão ser presos aos galhos do pinheiro. Esse tipo de fio pode ser encontrado à venda em brechós ou feirinhas de antiguidades, como a da Praça Benedito Calixto ou do Bexiga.

A árvore das mil e uma jóias

Quando se quer descrever uma mulher carregada de jóias, diz-se que ela parece uma árvore de Natal. Pois a árvore dourada e decorada com as mais belas jóias da coleção da mineira Márcia Carneiro de Mendonça, não é uma mulher mas sim um simples galho do jardim, que ela pinta de dourado e que pode deitar sobre a mesa ou colocar em um cachepô, dependendo do seu formato. Apaixonada pela coleção, enriquecida ao longo de uma vida dedicada a buscar e preservar as coisas belas do nosso barroco, Márcia aproveita o período do Natal para expô-las e, sobretudo, para as contemplar.

A árvore Fusca e violão

Ela é feita de um Fusca, um pneu e um violão. Em suas instalações, o artista plástico Sérgio Romagnolo gosta de unir elementos que parecem não ter ligação alguma entre si, mas que de algum modo trazem leituras novas para a visão poética das coisas. Fios com luzinhas vindos do alto sugerem a forma do pinheiro tradicional e dão brilho e delicadeza ao conjunto (os trabalhos de Sérgio Romagnolo podem ser encontrados na Galeria Triângulo, R. Paes de Araujo, 77, Itaim-Bibi, tel.: 11 3167-5621, site: http://sites.uol.com.br/sergioeleda).

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