HICKS, PAPA DAS CÔRES (17 de julho de 2005)
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| Ambiente da loja David Hicks, em Paris |
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| Lampe Cylindre, de autoria do decorador |
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| Foto antiga de David Hicks |
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| Fauteuil Library, apoiada em tapete de estampa Hicks |
Com estilo marcado por combinações inusitadas, ele é referencia mundial na decoração desde os anos 60.
Nos anos 60 David Hicks ja vinha se firmando como dono de um estilo muito definido e ousado. Linhas retas, muita geometria em suas estampas, listras, cores intensas, mistura de móveis modernos e antigos, tapetes com padronagens fortes, barras em cores constrastantes debruando paredes, logo passou a influenciar fortemente a decoração, não só na Inglaterra, mas também na França, Espanha e Estados Unidos.Embora tenha surgido no embalo da revolucionaria “Swinging London”, transitava com desenvoltura no meio da aristrocacia. Casado com Pamela, filha de Lord Mountbatten, tio do Principe Phillip, ter um ambiente assinado David Hicks logo passou a ser o supra sumo da elegancia entre os jovens da sociedade londrina.
Em sua loja da Lowndes Street, com duas vitrines sempre decoradas de forma bastante dramatica, misturava com talento o que parecia nao ter nenhuma relaçao entre si. Autodidata , cedo se deu conta da importancia da iluminação,. Numa época de ainda poucos recursos fazia uso da iluminaçao teatral. Excêntrico, passeava por Londres dirigindo um grande Ford conversível no auge dos carro mini. Já fazia o seu “statement” contra o estilo “old fashion” dos ingleses. Afinal vivia-se a época dos Beatles, da mini saia, de Mary Quant e David Bailey…
Começou cedo o seu interesse por casas. Depois da morte do pai em Leeds, onde nasceu, ainda pequeno fez questão de decorar a casa comprada pela mãe em Londres. Alí já ensaiava a justaposição de cores que viriam a marcar o seu estilo. Inventou cortinas azuis e lilás contra paredes vermelhas e o sofa fêz roxo com franjas verdes.
Coragem realmente não lhe faltava. Tranquilamente podia pintar de branco a estrutura de uma cadeira de estilo e estofá-la numa estampa bem colorida. Sobre um carpete verde não hesitaria em colocar um sofa laranja. Dizia sempre que boas fontes de inspiração para a combinação de cores eram as pinturas de Van Gogh, Matisse e Vuillard. Também sugeria que se olhasse bem para um velho “patchwork” ou para costumes orientais e se percebesse o charme de um padrão sobreposto a outro, de uma estampa misturada a outra.
Afirmava que todas as cores de uma mesma familia vão bem juntas: -“Ou seja todos os vermelhos vão bem com outros vermelhos e rosas. Todos os laranjas com outros laranjas ,marrons e amarelos. Assim como todos os azuis irão bem entre si e junto aos verdes. Acho que seria adequado dizer que quanto mais tons de uma mesma cor se puzer junto ,melhor sera o resultado .” Realmente destemido diante delas era capaz de pintar de vermelho uma mesa de ping-pong.
Seguro de seu proprio estilo, criou um logo em forma da cruz do jogo de amarelinha, que ,além de aparecer em seus papéis e embalagens, podia reaparecer em tecidos, tapetes, lençóis, toalhas de banho e mesa numa abordagem comercial avançada para a época .e `as estampas dava nomes como “Turquish Flowers”, “Blue and White Vase” ou “Blue and Brown Logo”. Com reportagens em revistas do mundo inteiro, ainda em vida passou a ser visto como um dos principais formadores de estilo de sua época.
Lido e viajado soube criar o “setting” para um estilo de vida onde havia distinçao, etiqueta, graça e elegancia. Sempre cioso de detalhes, flores puxando a cor da estampa preponderante, a arrumaçao de objetos sobre as mesas até a escolha da comida num jantar, não esqueceu de organizar o próprio enterro. Segundo suas diretrizes, foi sepultado num caixão laqueado de cinza, forrado de plastico e coberto por um pano com seu logo em estampa garrafal.
Nos muitos livros que escreveu e que, hoje ”vintage” podem custar até mil dolares quando encontrados , deixou o registro das casas, apartamentos e palacios que decorou e jardins que desenhou pelo mundo afora, de Nassau a Nova Yorque, da Africa do Sul a França. Hoje, quarenta anos depois, pode-se dizer que as ousadias de David Hicks, são agora ortodoxias, Barras contrastantes em cortinas, mesas retangulares vestidas ou as parson sempre tão retas e contemporaneas, as lacas brilhantes, estofados com filetes em cores diferentes. Revisitado, seu estilo pode ser encontrado na loja David Hicks de Paris, na Rue de Tournon, que acaba de sofrer uma reforma e onde ,além de se poder encomendar os tapetes e papeis estampados desenhados pelo designer, se pode também comprar móveis e objetos bem ao seu estilo. O filho Ashley, em Londres, também decorador mas com estilo diferente, autor de um livro sobre o pai e que detém os direitos sobre seus desenhos, vem cada vez mais recebendo pedidos. Num momento onde todo o mundo parece estar cansando do excesso de minimalismo nada mais atual do que agregar cor, emoção e energia ao ambiente como fazia David Hicks.




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