ESTILO SOANE AINDA SUSPIRA (27 de novembro de 2005)
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| Sala de jantar da casa museu com o retrato de Soane sobre a lareira |
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| Picture Room, a coleção de obras é ao mesmo tempo guardada e exposta em painéis |
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| Desenho da fachada da casa-museu |
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| Arquiteto, óleo de Thomas Lawrence |
No século 18, ele ousou um modelo de arquitetura e de design sem compromisso com os clássicos.
Foi quando morava em Londres nos anos 90 que descobri John Soane e o pequeno Museu instalado na casa onde viveu em 3 Lincoln’s Inn Field e que passou a ser para mim uma intermitente fonte de inspiração em matéria de design, soluções decorativas e aproveitamento de espaço. Ao morrer, em 1837, ja tinha conseguido que por um ato parlamentar sua casa fosse transformada em museu e estipulado que permanecesse o mais possivel igual a como a deixou. Sua idéia era justamente que amadores e estudantes tivessem acesso ao seu trabalho e as suas coleções.Nascido em 1753, filho de um costrutor de casas do interior da Inglaterra, pode-se dizer que foi o primeiro dos neo-classicos numa época em que as idéias em relação a proporção e espaços majestosos estava mudando. Pioneiro, depois do “Grand Tour” que fez pela Italia entre 1778 e 81, e influenciado pelo neo-classicismo francês, Sir John Soane, pois da Rainha ganhou título e condecoração, soube ser criativo e inovador em cima do tradicional estabelendo para a profissão também a figura do arquiteto e não mais aquela apenas do construtor de edificios..
Segundo John Summerson, curador do Museu onde se pode, entre as coleções também encontrar modelos e desenhos de seus projetos, o estilo Soane é uma das grandes curiosidades da arquitetura européia. Em 1792, na maturidade de seu trabalho, não era feito em nenhum outro lugar na Europa uma arquitetura tão descompromissada das lealdades classicas, tão livre no manejo das proporções e ousada no tocante `a estrutura e a luminosidade como a que John Soane introduziu no Banco da Inglaterra onde desde 1788 ganhou o cargo de arquiteto e supervisor de obras. A sua então nova fachada é o seu mais famoso trabalho. Sua enfase em detalhes decorativos muito pessoais foi realmente inovadora como também sua tendencia por soluções, as vezes bizarras e bem diferentes das usuais.
Entre seus principais projetos estão, além do Bank of England , a Dulwich Picture Gallery ao sul do Tamisa, o Pitshanger Manor em Ealing e as igrejas St John Bethnal Green, a Trinity Church em Marylebone e a Sr Peter’s Walworth , além do John Soane Museum e as duas casas que o ladeiam e que também são projeto dele e que formam um só conjunto impecavelmente equilibrado na praça desenhada pelo também famoso arquiteto Inigo Jones..
Incrivel é que ainda, depois de 200 anos, dentro desse seu projeto de escala tão pequena, se possa tirar tantas lições. Numa cidade mais para cinzenta como Londres e dentro de um espaço ladeado por duas edificações da mesma altura, é impressionante ver a maneira como conseguiu criar uma casa cheia de luz , que provém de clarabóias, aberturas inesperadas e que é refletida e multiplicada através de espelhos convexos e circulares e onde podemos nos ver em escala diminuida e no ambiente aumentado. Também através desses espelhos são refletidos os elementos decorativos que usava e que trazem majestade e grandeza ao ambiente. Sua cores também são bem estudadas. Ocres e cores quentes. A sala de jantar é pintada de vermelho e debruada com filetes verdes. O chão de madeira tem lindos motivos desenhados.
Apesar da casa, bastante pequena, estar abrigando os multiplos objetos, quadros e desenhos de suas coleções, não parece cheia ou poluida. Tudo é exposto de modo a que se torne parte integrante do desenho geral. Até o famoso sarcófago de Seti I, tão ambicionado pelo British Museum, ali está, adquirido por Soane em 1824. no subsolo que alias pode ser avistado da Sala das Pinturas situada dois andares acima.
Nesta, a “Picture Room”, uma das salas mais curiosas se pode ver maravilhosos os trabalhos de Hogarth, Canaletto, Piranesi e Turner, entre outros, todos pendurados dos dois lados de portas de armários que se abrem e se fecham umas sobre as outras.
Na biblioteca , ou ” Library Room” onde, em cima da lareira está o retrato de Sir John Soane aos 75 anos feito por Thomas Lawrence , além dos detalhes onde os arcos parecem voar e tem espelho em baixo dos frisos dando a impressão de que há mais espaço para além do real, as estantes são em mogano com portas de vidro. Livros, nao só ali podem ser encontrados, mas pela casa toda. Qualquer pequeno espaço tem uma função. São pequenas prateleiras, nichos, todos contendo e realçando alguma coisa e provando sua utilidade. Ali, há espaço para sua coleção de pedimentos, pequenas cabeças de mármore, fragmentos antigos de demolição, a maioria de origem romana, que eram usados nas suas aulas de “arquitetura”, uma matéria que ainda não tinha ganho este nome. Exímio arranjador de objetos e coleções que expunha sempre de maneira interessante , é até hoje uma fonte de inspiraçao para pessoas interessadas em “display”.O Museu também foi o palco e a inspiraçao de um recente trabalho em video entitulado “Vagabondia” do artista contemporaneao e cineasta ingles de origem africana Isaac Julien, e que divaga sobre o colonialismo ingles, o que mostra como até hoje o trabalho de John Soane pode mobilizar. Não é de estranhar, portanto, que alí dentro, apesar das pequenas dimensões que tem a casa, se possa passar horas a fio.
Incrivel é que duzentos anos depois a gente ainda se depare com os mesmos problemas; o melhor aproveitamento da luz natural, otimização do espaço, funcionalidade dos elementos decorativos e “display” de objetos. Aqui, dois exemplos de soluções contemporaneas , num paralelo com as antigas mas ao mesmo tempo tão atuais soluções encontradas por John Soane .
Uma é a do arquiteto Isay Weinfeld , que soube encontrar numa multiplicaçao de aberturas circulares uma solução não só funcional mas deslumbrante sobre uma escada na casa de um cliente nos jardins. Grande conhecedor do trabalho de Soane comenta como “é sempre um prazer retornar neste instigante Museu, não só pelas belíssimas proporções, pelos desenhos e pela coleção, mas também por estar situado na deslumbrante praça Lincoln’s Inn Fields, projetada por ninguém menos do que Inigo Jones, e também por estar a praça situada nesta inacreditável cidade chamada Londres.
O outro paralelo que aqui se faz é num projeto de reforma de Gilberto Beleza também em casa nos jardins, na subida de uma escada, de um guarda corpo que ao mesmo tempo serve de estante , transformando-se assim em espaço útil, proprio para display de coleções, livros ou objetos decorativos.




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