ESTILO COM ACENTO SURREAL (09 de abril de 2006)
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| Conjunto de cadeiras inspirados nos naipes do baralho |
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| Conjunto de cadeiras inspirados nos naipes do baralho |
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| Conjunto de cadeiras inspirados nos naipes do baralho |
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| Conjunto de cadeiras inspirados nos naipes do baralho |
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| Terry, o segundo a partir da esquerda, ao lado de amigos que ditaram moda na primeira metade do século 20 |
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| Cadeira em que o trabalho de passamanaria se assemelha ao da alta costura |
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| Cadeira com espandar em forma de concha(quase uma escultura) |
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| Ferro e o aço no modelo com listras |
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| Ferro e o aço no modelo com listras |
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| Cadeira de forma antropomórfica, tão ao gosto dos surrealistas da época |
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| Croquis de 1942 mostram a capacidade de Terryem perverter a seu modo elementos da ornamentação clássica |
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| Modelo turco em forma de meia-lua |
Emilio Terry, de fama nos salões de Paris no início dos anos 1990, revolucionou o design de cadeiras e tapetes.
Filho de ricos agricultores cubanos de origem irlandesa que viriam a se estabelecer definitivamente em Paris, Emilio Terry nasceu em Havana em 1890 e depois de muito viajar, perambular e sobretudo desenhar um pouco de tudo e muita coisa, morreu em 1969.
Ainda jovem, ensaiou seus dons arquitetônicos reformando o proprio apartamento em Paris. Em seguida desenhou uma pequena casa de banhos, como se dizia a época, com ares paladianos, sobre o lago Leman para seus amigos Brandenbourg. E daí a conceber um chamado “hotel particulier” em Boulogne para o amigo e milionario boliviano Arturo Lopes foi passo rapido.
Ja era claro o seu gosto por um neoclassico a la Paladio e por um barroco onírico, uma mistura que viria a agradar os surrealistas, a vanguarda na época, e ao decorador Jean Michel Frank para quem ele passou a criar moveis. Amigo de Christian Bérard, Jean Cocteau e Coco Chanel, e “habitué” do restaurante “Boeuf sur le Toit”, passou a frequentar os salões mais cobiçados de Paris como os de Jose Maria Sert, Charles de Noailles e Etienne de Beaumont. Esse seu mundanismo, no entanto, não impediu que partisse em longas viagens e que seguisse colocando no papel os seus dotes de desenhista solitário. Faz exposições, desenha os “decors” dos Ballets 33 para o Teatro dos Champs Elysées e em 1936 seus projetos mais ousados são expostos no Museu de Arte Moderna de Nova Yorque ao lado de trabalhos de Salvador Dali e Meret Hoppenheim na exposiçao Arte Fantastica, Dada e Surrealismo. As “machine a rever” ou maquinas de sonhar, que fizeram dele um anti- Le Corbusier, no entanto, não proliferaram nestes tempos de crise. Foi preciso esperar o final da Guerra para que ele tivesse novas encomendas de trabalho como as que fez para Helena Rubinstein, Starvos Niarchos, Marie Blanche de Polignac, filha da costureira Jeanne Lanvin e sobretudo para Charles de Beistegui para quem desenhou e ornamentou as novas alas e os pavilhões de seu castelo de Groussay, vendido há alguns anos pela Sotheby’s. Para ele o mais importante era o efeito geral. Nao necessariamente para impressionar, mas porque acreditava firmemente que deveriamos estar rodeados de beleza.“ Uma sala sem moldura de gesso é como um homem sem colarinho”, dizia ele.
Erudito e de enorme cultura visual, acumulou ao longo da vida um dos mais importantes acervos de obras sobre artes decorativas, arquitetura e ornamento de que se tem noticia e que ele distribuia entre o apartamento na cidade e o castelo de Rochecotte. Seus desenhos, eram não só o resultado desse grande conhecimento, mas da imaginação fértil, do sonho e da capacidade de inventar do poeta que havia nele. Impossivel classifica-lo dentro de estereótipos e inútil seria tentar definir sua fontes de inspiração. Além de desenhos arquitetonicos, desenhou moveis, tecidos, tapetes e as famosas cadeiras que aqui mostramos. A forma em seus desenhos era metamorfoseada, ganhava contornos diversos, linhas, combinações, ao ponto de as vezes não se saber se estavamos diante do desenho de uma cadeira, de um espelho ou de um detalhe arquitetonico.
Nesses desenhos das cadeiras, que até hoje despertam o interesse de tantos decoradores, Emilio Terry esbanjou numa quase brincadeira na ornamentação de suas formas. Num jogo com volutas, palmas, meias luas, concha, flor de lotus e elementos mais frivolos como o leque e a fita, inventava mil combinações em torno das proprias iniciais E.T. e das de seus clientes. Um móvel por ele criado poderia trazer um lambrequim superdimensionado como elemento central. Esse gosto por uma verdadeira colagem de formas meio piranesiano o aproximava dos artistas surrealistas. Audacioso, seu trabalho já trazia a liberdade de criação que adveio com o inicio do seculo 20 e mostra sua afinidade com estilos que marcaram as mais diversas épocas. Podia passar tranquilamente pelo grego, o neoclassico e o rococo. No período Biedermaier, canto do cisne do neoclassicismo nos paises da Europa nórdica e central, Emilio Terry podia se sentir em casa. Nessa época, o ornamento fora banido completamente da propria estrutura do móvel, mas pelas mãos de Emilio aparecia como um elemento sobreposto, invertendo a relação entre um e outro como num gesto de revanche. Certamente Magritte se encantaria com estes trabalhos um pouco antropomorficos e de materiais diversos. Nos dias de hoje, quando se sente no ar uma volta a esse jogo com elementos de memória e fantasia, se pode pensar no escoçês Gabhan Okeffe e em alguns neo barrocos franceses. Terry e seu contemporaneo Serge Roche, já reportado nestas páginas, podem ser considerados uns dos poucos representantes do neo-rococó moderno, sendo que o primeiro, com mais humor, se aproximou da estética do “objet trouvé” ou “ready made”. Artista moderno Emilio Terry sabia que o olhar do artista no fundo importa muito mais do que o artefato em si, entregue para sempre `as vicissitudes do tempo.












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