DESIGN QUE ROMPE E SOMA (05 de novembro de 2006)
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| Ambiente com peças da Doog, destaque para estante de Tejo Remy, exemplo do antdesign e crítica ao consumismo |
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| Luminária Chandelier 85 Lamps, de Rody Graumans, síntese do conceito Less and More |
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| Moldura feita com a fita adesiva impressa artisticamente, de Martí Guixé |
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| Guarda-sol de tecido rendado, a impressão é de se estar sentado de baixo de uma árvore |
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| Banheiro com peças exclusivas |
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| Gijs Bakker e Renny Ramakers, fundadores da Droog |
As criações da holandesa Droog, que comemora 13 anos, tem a marca da estética simples e lúdica.
Apesar de estarem sendo comprados para as colecões de museus mundo a fora, os objetos e móveis com o selo da Droog, que comemora seus 13 anos de existência com a exposição Simply Droog 10 + 3, em Nova Yorque no Museum of Arts and Design, não foram feitos para ficar em prateleiras, mas sim para serem usados, abusados e também para divertir.Certamente não passarão despercebidos o lustre de cristal antigo alojado dentro de um cone de acrílico espelhado, o papel de parede branco com círculos vazados, o cabide que ilumina a camisa, a moldura de um espelho que nada mais é do que uma fita adesiva desenhada e colada`a parede, o capacho em forma de coelho ou hipopótamo, a luminária feita com garrafas de leite, a toalha fundida ao centro de mesa ou as lâmpadas que podem ser coladas `a parede .
A Droog Design foi fundada em Amsterdam em 1993 por Gijs Bakker, um professor de desenho industrial e Renny Ramakers , depois de perceber a atenção suscitada por algumas peças de criadores holandeses que ela havia levado para o Salão do Móvel de Milão, feitas com material rejeitado e reciclavel. Uma estante feita com tiras de papel , uma cristaleira em “driftwood” (madeira flutuante) e uma cômoda que na verdade são um punhado de gavetas diferentes atadas por uma corda, foram vistos como uma quebra em relação aos conceitos modernistas do século XX , apontando, quem sabe, novos caminhos.
Droog em holandês quer dizer seco, enxuto e a idéia é que as criações, de diferentes designers, sejam, além de simples e sem adorno, também inteligentes e imbuídas de humor, de alma e de sentido. É premissa que tenham força conceitual, emanem bom senso e sejam acessíveis. E que evoquem e nos provoquem a repensar a função tradicional dos objetos.
Trata-se na verdade de uma atitude. As criações chanceladas e desenvolvidas pela Droog Design não parecem sofrer com a passagem do tempo. Vem, ao contrario, se transformando em ícones como o lustre de Rody Graumans, que mais se parece a um buquê de cabeça para baixo feito de fios eletricos pretos e 85 lâmpadas; a luminária de Marcel Wanders feita apenas com cúpulas comuns empilhadas e o tapete de chuveiro em poliuretano com bolhas de ar de Hella Jungerius. Seus autores, hoje, já são considerados figuras chave do design contemporâneo. Sempre expostos coletivamente, o impacto é sem duvidas maior. Segundo Gijs “todos esses produtos não teriam ficando assim conhecidos caso não os tivéssemos mostrado juntos”.
Pode-se hoje perceber que a estética simplista dos artistas Droog era também uma reação `a cacofonia dos plásticos coloridos e dos temas kitsch adotados pelo movimento Memphis dos anos 80. Surgia então um design funcional, com linguagem critica, verve, originalidade na escolha do material e preocupação em servir ao usuário. Até hoje a Droog pede que lhe sejam enviadas fotos de como os seus produtos estão sendo usados nas casas de quem os comprou.
A Droog Design Foundation fabrica e comercializa suas criações através da DMD (Desenvolvimento/Manufatura/Distribuição) em quantidades, em geral, limitadas. De acordo com os estatutos da marca, esses produtos “ em termos de qualidade e de conceito tem de corresponder `a imagem que a Droog pretende comunicar: idéias originais e conceitos claros formatados de modo alternativo mas com lógica e inteligência.” Há uma constante experimentação de novos produtos, com criadores e parceiros industriais como a Rosenthal, a Flos , a Ikea e a Levi Strauss. São mais de 150 produtos e conceitos como o projeto da loja ancora da Mandarina Duck, fabricante italiana de malas na Rue Saint Honoré em Paris; da cozinha “Dry” com azulejos brancos com funções variadas próprias como já vir pronto como gancho para toalha, pote para ervas, porta livro de receitas, porta facas e outras tantas reconceituações visionárias.
Bakker e Ramaker, como diretores de arte e não no papel de administradores da empresa, tem os tão necessários espaço e liberdade para avançar, adotar novos talentos ou para continuar a trabalhar com velhos favoritos. A Droog pode estar criando objetos de arte, fazendo consultoria em design, elaborando produtos e materiais em parcerias, ou se envolvendo em projetos gráficos, de interiores e de arquitetura. Sobre o que exatamente seria a Droog Design, Renny respondeu: “É de uma mentalidade”.
O fato é que a Droog está sempre em movimento. Não cessa de questionar o que Renny chama de “a ideologia do novo”. O design atual, na ânsia de inovar, `as vezes acaba por nada criar e, na busca do objeto perfeito, termina se afastando dos que o compram. Dos objetos Droog pode-se dizer que carregam a proposta de uma nova experiência, são genuínos, úteis e brincam com a idéia da imperfeiçao, da reutilização, da interação e do tato. Embora critique a cultura de consumo e reaja ao paradoxo, a mentalidade Droog é, em si, também paradoxal. Less And More, numa alusão ao “Less Is More” de Mies van der Rohe, é o titulo do livro lançado por Renny Ramakers em 2003 e que trata justamente desse paradoxo. Embora a idéia inicial da marca fosse o “não estilo” hoje, possuir um selo Droog é ser design com D maiúsculo. Espera-se que a chegada dessas invenções `as prateleiras dos museus, não roube delas a capacidade de surpreender ou de continuar com graça e humor sendo um testemunho de como o nosso dia a dia pode ser rearranjado de forma mais interessante e criativa, ou seja educando e seduzindo a platéia consumista.






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