CHARME MADE IN USA (14 de agosto de 2005)

Cores quentes e suaves, com traços da
elegância do século 18, usadas
na decoração de Elsie de Wolfe
Elsie de Wolfe em ambiente que decorou


Elsie de Wolfe em ambiente que decorou
Elsie de Wolfe

          

Elsie de Wolfe foi a primeira decoradora Americana de fato. E decretou a liberdade na mistura de estilos.

Embora tenha desaparecido há mais de meio século, Elsie de Wolfe é até hoje considerada a primeira decoradora de fato dos Estados Unidos. Trouxe para a profissão o “glamour”e uma aura de celebridade ao valorizar o gosto individual, a liberdade na mistura de estilos e ajudou a enterrar o rigor dos “period rooms”, ou seja do ambiente rigorosamente mobiliado ao estilo de uma só época.
Nascida em 1865, em Nova Yorque, viveu parte da infancia na Escócia e aos 20 anos foi apresentada `a Rainha Vitória e `a Corte. Em seguida, nos Estados Unidos, fez algum sucesso no teatro amador, mais pelas roupas escolhidas por ela mesma entre os costureiros parisienses famosos `a época como Worth , Paquin e Poiret, num acordo com seu produtor, do que propriamente por suas performances.
Em 1887, num chamado “Boston Marriage”, sentou praça com Bessie, ou Elizabeth Mulberry, uma agente literaria e mulher de negócios muito bem situada na sociedade. Na casa de Irving Place em NY, onde foram morar juntas, Elsie varreu o “clutter”, os excessos vitorianos, abriu espaços, trouxe cores quentes, suaves e traços da elegancia do século dezoito. Em 1905, munida de cartao de visitas com seu logo, um brasão e um urso numa alusão ao proprio nome (wolf= urso), isso numa época em que não era bem visto as mulheres adotarem atitudes ditas masculinas, resolveu tornar-se decoradora.
Muito feminino porém seria o seu jeito de decorar . No seu primeiro trabalho importante, o que fez selar sua reputação, e que foi a decoração do Colony Club em NY, o primeiro na cidade e até hoje um elegante e badalado clube de mulheres, fez justamente questão de não repetir a atmosfera escura e austera dos clubes masculinos tradicionais. Ali botou tijolinho no chão, usou com abundancia chintz estampados tentando convencer os americanos que aquilo ja se usava nas luxuosas casas de campo da Inglaterra, fez as paredes e cortinas claras e a primeira de suas depois famosas salas treliçadas, elementos que até hoje soam graciosos e atuais.
Alguns anos depois de novos projetos um atraz do outro, de um livro chamado “The House in Good Taste” e de estabelecida num escritorio na 5a Avenida, Elsie conheceu o mais importante cliente de sua vida, o famoso industrial e colecionador Henry Clay Frick. Esse que deixou para para a cidade de Nova Yorque a famosa Frick Collection, hoje Museu, convidou- a em 1913 para decorar os quatorse quartos da parte intima e de hóspedes de sua casa. Tratada a vela de libra, além de lhe mandar chofer ou avião , pagava-lhe 5% de comissão em despesas sob sua orientação até 25 mil dólares Dai até 50 mil pagava 3% e daí em diante 2,1/2%. Por contrato,não podia receber dos fonecedores e tinha de conseguir sempre o melhor preço.
Em seu livro de memórias Elsie conta que numa manhã, na França, mais precisamente na meia hora que Frick lhe concedeu para fazer compras num antiquario, ele calçando sapatos de golfe pois era o que estava interessado em fazer, ela tornou-se milionaria. Conta também que recebeu um convite de Eduardo VI para fazer os apartamentos intimos de Buckingham Palace o que acabou nunca acontecendo pois logo depois ele abdicou ao trono.
Com Frick trabalhou até sua morte em 1919. Durante a Primeira Guerra foi enfermeira voluntaria e bem mais tarde, sempre sabendo levar uma vida interessante e criativa casou-se em 1926, aos 61 anos com o diplomata ingles Charles Mendl. Foi morar na França , mais precisamente na bela Villa Trianon em Versailles, que havia comprado enquanto ainda com Bessie , que por sinal ficou arrazada, e onde recebia com charme e muita graça seu famoso sanduiche de agrião e um drinque que inventou misturando drambuie, gin e suco de grapefruit. Era amiga de Conde Nast, de Cole Porter, da Duquesa de Windsor e do mecenas Paul Louis Weller que mais tarde passou a ser dono da Villa Trianon. –“ Ela mistura pessoas como quem mistura um drinque e o resultado é apenasmente genial”, dizia dela a a Duquesa. Assim como alí ela ja misturava tambem uma cadeira de acrílico transparente com assento de pele de leopardo , moveis de época. Se divertia com o pastiche, por exemplo pintando cadeiras Luis XVI em “French white .“ “Muito otimismo e tinta branca” dizia ser o seu segredo. Adorava também espelhos, o “trompe l’oeil”, a Chinoiserie nas paredes e os “Black Amours”. Com o marido que era judeu, e por causa da segunda Guerra que se aproximanva, foi morar na California onde camuflava a má arquitetura de certas casas com tetos e paredes forradas com listras , as famosas treliças dentro de casa, gravuras de arquitetura com molduras em madeira natural ou pintadas. Depois da morte do marido regressou a sua querida Villa Trianon onde morreu em 1950 e que até hoje ainda guarda os traços de sua decoração . Cultora da simplicidade, da adequação e da proporção, foi uma influencia quase sem paralelo na história dos interiores.

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