A ARTE TOTAL DO DESIGN (11 de fevereiro de 2007)
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| Hoffmann, no estúdio do colega Koloman Moser em Viena (cerca de 1898) |
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| Vestibulo, que pode ser visto na exposição Interiores, nas paredes estampas de bolinhas pretas que o arquiteto usou em sua própria casa em Viena e na casa de verão na Morávia, que hoje é museu |
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| Quarto de jovem, recriado na Neue Galerie, móveis pintados, formas e paredes com estampas |
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| Sala de jantar, em que se destacam os ganchos de onde pendem os quadros |
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| Cigarreira em ouro, lápis-lazúli, pérolas, turquesa, coral e outras pedras semipreciosas, concebida para Otto Primavesi em 1912 |
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| Desenho em perspectiva de quarto para casa de campo de Primavesi |
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| Cartaz da exposição em NY |
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| Cadeira do Sanatório Purkersdorf |
Em Viena, no início dos anos 1900, Josef Hoffman criou um conceito revolucionário, tema de mostra, em N. York.
A Viena da “belle époque”, que, com sua famosa Rinsgtrasse, virou o século vinte ainda opulenta e estilosa , viria a sofrer uma tremenda mudança num período de apenas cinco anos. Surgia então nestes primeiros anos do século um novo conceito em matéria de design que viria afetar o dia a dia da cidade e de seus ocupantes. Esta mudança certamente se pode atribuir em grande parte ao designer Josef Hoffmann que soube captar a essência de um novo estilo e definir as formas da era que se iniciava. Sua idéia era que o que até então era concebido para a aristocracia não mais se adequava a um modo de viver mais democrático. Com sensibilidade política, falava de uma nova sociedade “determinada em sua intenção de criar um pano de fundo mais moderno para a nossa vida moderna” Suas criações, tão simbólicas do período, como se pode ver atualmente na bela exposição INTERIORES (1902-1913) na Neue Galerie em Nova Iorque, guardam, quase cem anos depois um frescor e aparência incrivelmente contemporâneos.Arquiteto de formação, Hoffmann é o autor de prédios exemplares como o Sanatório de Purkesdorf em Viena e o Palácio Stoclet em Bruxelas mas não se contentaria em apenas edificar. Como um dos lideres da Viena Secession, sua preocupação maior era com a cultura do “design”, com a sua integração ao dia a dia, com a qualidade e a importância do objeto funcional e com elevação deste `a categoria de arte. Dai talvez a explicação para o interesse que ainda tanto desperta posto que tão contemporânea é hoje a figura unívoca do arquiteto-decorador-designer.
A exposição, que pode ser visitada até o final de fevereiro, mostra quatro interiores de Hoffman, ilustrando o seu conceito de Gesamtkunstwerk, que quer significar arte total, ou seja, justamente o da construção de um design abrangente e completo através do desenho meticuloso de cada peça, do tapete `a colcha da cama, passando pelos moveis, pelo talher, pelos pratos, pelos tecidos, pelas molduras dos quadros e artefatos de iluminação. Em seu tempo, a maioria desses objetos eram desenvolvidos sob os auspícios da influente Wiener Werkstatte (Viena Workshops) da qual Hoffmann foi o fundador em1903 e permaneceu diretor durante quase toda a sua vida.
Nas paredes os seus stencils de bolinhas pretas e outros como barras decorativas foram reproduzidos nas paredes desses quatro interiores recriados em dois andares da Neue Galerie. Em vitrines podemos ver outras criações de Hoffmann como a ainda hoje famosa cadeira produzida para a sala de jantar do sanatório Purkersdorf em 1904, alem de vasos, talheres, copos e outras criações.
Hoffmann nasceu na Moravia, na cidade de Brtnice, em 1870, atualmente parte da Republica Tcheca. Há até hoje um debate sobre a sua verdadeira nacionalidade. Quando veio ao mundo a Moravia fazia parte do Império Austro-Hungaro. Sua família, no entanto, era alemã, integrante de uma minoria que ali habitava e ocupou a prefeitura local por três gerações. Aos 22 deixou Brtnice para estudar em Viena onde viveu por 25 anos, deixou marcas indeléveis e onde até hoje, com orgulho, o consideram um local
Em 1910, já consagrado, Josef Hoffman retornou a Moravia para renovar a velha casa da família onde nasceu e foi criado, e que passaria então a usar como casa de verão. Ali, com uma liberdade que não parecia ter em Viena, onde se mostrava extremamente rigoroso do ponto de vista conceitual nos trabalhos que fazia para seus clientes, deixou o andar térreo bem barroco como em seus tempos de menino e incorporou moveis antigos e velhas fotos da família. As vitrines foram carregadas de lembranças e nas paredes divertiu-se com o “stencil”, criando ousadas e diferentes padronagens de influencia certamente Biedermeyer para cada cômodo. Eram listras, barras, diamantes e outros desenhos como os famosos “pois”, “polka dots” ou bolinhas em bom português. As preferia pretas sobre branco como fez em sua própria casa em Viena e na de alguns clientes como o vienense Dr.Spitzer.
A bela casa amarela e branca com telhado “shingle” de madeira, uma das três grandes propriedades da família em Brtnice, situada numa das únicas duas praças da pequena cidade, e que havia sido confiscada logo depois da segunda Guerra, foi reaberta em 1992 como Joseph Hoffmann Museum. Atrás de varias das subseqüentes camadas de tinta recentemente retiradas, foram encontrados os stencils originais que, restaurados, podem ser uma moderna e graciosa fonte de inspiração para pintores murais. Interessante também é o lambri do quarto de Hoffmann, laqueado de creme e todo barrado na vertical com réguas de madeira preta. Do mobiliário original pouco restou mas, por meio de reproduções recentes e autorizadas, estão ali quase todas as criações do arquiteto-designer, desde moveis, luminárias, almofadas, bandejas, vasos, copos e talheres reeditados por diferentes empresas como as vienenses Wittmann e Woka Lamps e a italiana Alessi e que podem também ser adquiridas na lojinha da Neue Galerie em Nova Iorque.
Para muitos admiradores e seguidores, essas contradições ou ambigüidades do famoso arquiteto, do tipo “Faça como eu digo, não como eu faço”, são descoberta recente mas certamente perdoáveis pois não lhe desmerece o legado. Consta que, mesmo em Viena, tinha duas casas e duas vidas; o apartamento oficial, dentro do conceito Gesamtkunstwerk, onde vivia com a mulher e outro, em endereço “secreto” onde a decoração era bem mais relaxada e recebia com um amigo.








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