UM PADRÃO SEMPRE ATUAL (08 de março de 2009)
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| Caixinhas de rapé com estampa xadrez, perfeito souvenir escocês |
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| Sala que é ode ao tantan, com móveis e objetos na mesma estampa |
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| Estampas em cores fortes |
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| Detalhe de porta guardanapos |
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| Ambiente xadrez que combina tradição e humor |
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| Estojo para dedal decorado |
Dos celtas a Madonna, o xadrez, que ganhou fama na Ecócia, atravessa os séculos para continuar em moda.
Sempre encantando, não apenas decoradores, mas também designers de moda e de tecido, o xadrês não sai de moda. Sua geometria sedutora tem história bem antiga. Dizem textos de Virgílio, que os celtas já gostavam do padrão, como depois os Pics, seus descendentes, no século 17 antes de Cristo. Em seguida vieram os Scotti, com fama de criminosos, bem pretéritos habitantes dessas altas montanhas ou “highlands” escocesas, e que alarmavam os habitantes das terras baixas ou “lowlands”. Havia o gosto por cores fortes, o vermelho vivo, o amarelo, o azul e o verde, numa tecelagem de fios tintos com pigmentos da terra, e cujos variados padrões haveriam de servir para identificar, pelas roupas de batalha ou “warclothes”, os diferentes clãs que ali viviam e controlavam estas misteriosas e míticas montanhas.Os MacGregor, um dos mais antigos desses clãs, eram conhecidos como foras da lei. Houve um decreto que não só autorizava mas que também sugeria que, se avistados, se desse deles cabo. Rob Roy, no Robin Hood de Sir Walter Scott era um Macgregor. Outro clã sem escrúpulos, teria sido o dos Campbells, cujos soldados usavam, nas guerras, o tartan do líder. Assim, o padrão escocês das mais poderosas família, ia aos poucos se transformando em símbolo de aspirações nacionalistas.
Foi bem mais tarde, durante o reino da Rainha Vitória, na segunda metade do século XIX, quando a Escócia - país que ela adorava, terra de John Brown, um “highlander”, aquele que foi seu protetor e por quem, dizem as más línguas, ela teria se apaixonado depois da morte de seu querido Alberto, em 1861 - virou moda como resort de turismo e férias, é que o padrão escocês entrou para o bem sucedido mundo do design. Deixava de ser apenas aquele da vestimenta oficial e identificadora do clã, dos xalinhos nos ombros das mulheres da família, presos por broches ou aos cintos, ou a estampa típica de mantas de lã, forro de chão e paredes nos castelos escoceses, para decorar e se transformar em objetos de desejo, de utilidade inclusive doméstica e lembranças de viagem à Escócia.
Foi na cidade escocesa de Mauchline, no estado de Ayrshire, que estas peças começaram a ser desenvolvidas. Dai muitos se referirem a essa peças de coleção, como mauchlineware ou tartanware, e que também melhor especificam aquelas com desenho tartan e as diferenciam daquelas apenas envernizadas e deixadas no tom mesmo da madeira, em geral o sycamore, ou plátano, e com desenhos de paisagens ou pessoas, geralmente em preto.
Os primeiros objetos de sucesso foram as então tão populares caixinhas de rapé. No início de um mercado que vingou durante 160 anos, elas eram pintadas à mão e depois laqueadas. As mais antigas tinham dobradiças de madeira pois o metal não acompanharia a oscilação do plátano, sujeita à umidade ou à secura. Mais tarde passou-se a usar o decalque, ou o papel escocês estampado, antes da laca ou do verniz. Estão entre as peças mais disputadas, hoje, por colecionadores e “connaisseurs”. Fazia-se caixas de chá, de fósforos, porta dedal, porta guardanapos, estojo de guardar copo, caneta, tesoura, cartões de visita, dados, baralho, alfinetes e carretéis. Ou cigarreiras, porta retratos, bandejas e até pequenas mesinhas de costura ou outra utilidade com compartimentos para a mistura de ervas para o chá. Também capas de livros, mata-borrões e porta plumas, ganharam desenho escocês. Impressionante é a diversidade de objetos, muitos deles decorados, ao mesmo tempo, no padrão xadrês ou com pintura preta sobre a madeira clara. Entre os mais importante fabricantes, estão John e James Smith, que chegaram a ter 400 empregados, e publicaram, em 1842, o volume Authenticated Tartans of the Clan Families of Scotland.
Conhecida colecionadora de Tartanware, tendo inclusive publicado um livro sobre a própria coleção, iniciada há mais de 30 anos, no mercado de Portobello Road em Londres, é a Princesa Ira Furstemberg, tão amiga do Brasil, onde morou quando bem jovem e casada com o paulista Baby Pignatari. Tem peças no padrão Stuart check vermelho intenso, e que representa a família de mesmo nome. Outras em amarelo e laranja, do clã dos Buchanan, mais conhecidos pelo uísque escocês. E muitas também com a estampa vermelho escuro e preto dos McLahan. Apesar de meio italiana, meio austríaca, Ira atribuí o seu encanto e paixão pelo tartanware a seus avós escoceses, o Duque e a Duquesa de Hamilton.
Um outro livro, mais recente, intitulado Tartan, Romanceando o Padrão, foi recentemente editado pela Rizzoli. Escrito a quatro mãos por Jeffrey Banks e Doria de La Chapelle, tem prefácio de Rose Marie Bravo, a empresaria que revolucionou e modernizou a Burbery’s, conhecida pelo famoso xadrês dos forros das capas de chuva que depois invadiram as passarelas. Mostra como o padrão foi e vem sendo usado por famosos designers de moda como Yves Saint Laurent, Vivian Westwood, Bill Blass, Jean Paul Gauthier, Rei Kavakubo e Ysaac Mizrhai. Mostra o tartan no contexto da tradição, através de pinturas e gravuras antigas e históricas. Como não poderia faltar, também nas paginas do livro, imagens da Rainha Vitória bem à caráter, a Rainha Elizabeth, criança junto a irmã e depois adulta, em quilts e veraneando em Balmoral. Aparece o herdeiro Charles, o Príncipe de Gales, de saias curtas, gravata, colete e paletó. Tem Diana e a atual Camila, ambas em xadrês, pés a cabeça. E aparece Madonna, em tournée de 2004, quando se reinventava vestindo o famoso quilt com camiseta branca.
Não faltou no livro a cena de um casamento escocês em Sex and the City, nem as coleções de objetos dos tempos da longeva Rainha Vitória, nem as belas vitrines em xadrês, da Tiffany ou Ralph Lauren. Também os antigos interiores escoceses ali registrados, podem ser inspiradores de uma decoração contemporânea, como aqueles da dupla americana Diamond and Baratta que, com tanta graça, sabem tirar partido desse secular e tão tradicional padrão.






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