UM DIA QUE É PARA SEMPRE (09 de dezembro de 2007)
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| Foto antiga, ícone do Natal |
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| Foto antiga, ícone do Natal |
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| Livro Christmas Vintage Holiday Graphics, à venda na Livraria da Vila |
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| Foto Conceito: Firma Casa, peças para um Natal neobarroco e bem contemporâneo |
Imagens do Natal nunca se desfazem. Faça a festa ao seu jeito, com criatividade na hora da ceia e dos presentes.
Quando se é criança parece que entre um natal e outro se passa um mundo, um tempão, e que aquele do ano seguinte nunca chega. Na idade adulta, e quanto mais ela avança, parece que o anterior foi ontem e o próximo já amanhã. É um susto esse de, de repente, estarmos outra vez diante daquela obrigação de pensar em presentes, pacotes, enfeites, em como decorar a casa para a ceia de natal e, pior que tudo, a dificuldade em saber quem vai gostar do que, se o que compramos vai agradar e aquela angustia do tempo encurtando e a pressão aumentando.Uma amiga conjeturava em comprar tudo via internet. Grande idéia, a solução ideal para os sem tempo em tempos tecnológicos. Coisa para ocupadíssimos, modernos, e sem problemas com a Web. Há, no entanto, quem ache que temos de dar uma volta pelas lojas e bazares, ou melhor, prefira e goste de escolher tocando, provando e comparando. Afinal as lojas se embonecam pela justa causa, para serem descobertas e apreciadas. Vamos então circular. E é preciso também que as compras caibam no bolso ou na carteira, nem sempre farto e apto para atender à demanda dos desejos, os nossos de ofertar e, o dos familiares e amigos, de receber.
Para o comercio trata-se do maior e mais rentável acontecimento do ano, daí ser tão difícil escapar daquela icônica paisagem invernal que sempre nos aparece em pleno verão, do papai Noel gordo, vermelho e de cabelos brancos em seu trenó, uma corruptela do São Nicolau das velhas lendas, daquele pinheiro tão simbólico de climas frios, da profusão de panettones e suas variantes em oferta nos supermercados, da imposição de uma ceia movida ao peru recheado de sempre e do eterno presépio, única lembrança de que tudo começou por um motivo espiritual, o nascimento de Jesus.
O livro Christmas –Vintage Holliday Graphics, que pode ser uma graciosa lembrança nataliana e que encontrei na Livraria da Vila da Avenida Lorena, onde aliás na sessão infantil dá para resolver o que dar para a criançada pois há livros que viram casinhas e outros que chegam a falar, mostra imagens natalinas associadas aos anúncios publicitários americanos desde o começo do século e tenta explicar como e quando entraram em cena as hoje icônicas figuras da arvore e do papai Noel.
À parte as considerações sobre a desfiguração do Natal pelo comercio, fato é que, quando a data se aproxima, uma certa excitação vai tomando conta da gente e que vamos nos deixando contagiar pelo clima de presentear e de festas à vista. Assim, vamos cuidando à nossa moda e com a nossa cara de nossos natais e reveillons que vão ganhando características próprias e, na sua repetição, se transformando em tradição famíliar.
Tradição por tradição, que cada um cuide de preservar a sua. Difícil não tentar repetir as receitas e pratos com sabor de casa da vovó. Afinal, no desejo de propiciar um natal bem prazeroro para nossos filhos e netos, revivemos de certo modo a nossa própria infância. Não vai faltar, portanto, a rabanada e o bolo de nozes. Gostoso também desencavar no armário e pendurar na porta de entrada a coroa de pano estampado verde e branco com laço vermelho comprada há muitos anos numa feira de artesanato popular, o presepinho de barro colorido nordestino e os soldados quebra nozes do tempo em que os filhos eram crianças e que vem fazendo ponto em todos os nossos natais. Também há de sair do armário nos primeiros dias de dezembro aquela almofada decorativa comprada na Europa, toda vermelhinha, acabamento dourado e com um grande NOEL bordado também em dourado. Mesmo que tenhamos de mudar de casa ou cidade, são pequenas referencias de continuidade que, no entanto, não nos impedem de ser criativos nas embalagens, nos arranjos de mesa, na reinvenção da velha arvore de Natal e na escolha dos presentes que podem ser originais e não necessariamente dispendiosos.
Para uma amiga milionária que gosta de jóias, porque não oferecer um livro sobre o tema. “Dê às pessoas o que elas nunca souberam que desejavam”, dizia a fashion guru e jornalista Diana Vreeland. Às vezes, algo simples mas que seja extremamente útil para você, como um bom limpador de jóias, um tira manchas fabuloso, um pequeno kit com a chavinha de fenda para apertar ou substituir o parafusinho dos óculos pode agradar em cheio. Experimente a “Multicoisas” na Tabapuan 319. E se você vai para a casa de campo de um amigo onde existe lareira, porque não oferecer, por exemplo, uma caixa de fósforos longos, bem grande e bonita ?
E, para variar, quem sabe comprar fraldas de pano a metro para fazer pacotes ? A idéia veio quando pensei em como embalar umas caixas de chá sabor “esprit de noel” da marca Marriage Frères que contem saquinhos de pano fininho em lugar daqueles de papel. O tecido da fralda rimaria com o dos saquinhos e faria uma embalagem com aquelas pontas dando nó de marmita japonesa. Sobras de tecido podem muito bem substituir o papel ou se transformar em laçarotes mais divertidos do que fitas comuns. Vale portanto ir guardando durante o ano tudo o que vai poder depois justificar aquele velho ditado que diz que nada se cria, tudo se transforma. Importante é rimar cores, sobrepor materiais diversos, brincar com o inesperado. Muito papel de seda. Folhas Eva coloridas podem se transformar em embalagens tubulares. E mesmo o tule colorido e um filó dourado podem sair mais em conta e fazer mais efeito do que folhas de papel menos originais e caras.
Deixar de lado o computador e sair garimpando pelas ruas dos Jardins, e - porque não - pela 25 de março, pode trazer alternativas, estimular a imaginação, provocar novas idéias. Na Conceito Firma Casa, na Gabriel Monteiro da Silva 1740, e que recentemente duplicou de tamanho, castiçais de vela em barro dourado, saladeiras douradas e uns simpáticos porquinhos também dourados dão um brilho festeiro a uma bem posta mesa de jantar. Ali, entre belos livros sobre decoração, peças de roupas de design original, bijuteria de artista e as mais recentes novidades em matéria de moveis e objetos, difícil não encontrar um presente especial.
Já há muitos anos, uma amiga que tem marcenaria em sua fazenda, manda fazer um chamado “petit meuble” para dar de presente a um grupo grande de amigos. Pode ser uma cadeirinha, uma pequena mesa bandeja de apoio, ótima para se comer na frente da televisão ou uma escadinha dobrável, perfeita para se ter na biblioteca, não importa. O presente vai chegar lindo, dentro de um grande cesto ou de um belo saco de pano e com direito ainda a docinhos, geléias e biscoitos feitos na fazenda. A cada ano uma surpresa e o mesmo prazer de receber algo feito com tanta atenção, cuidado e carinho.
Uma lista com o que demos no Natal anterior pode ajudar a não repetirmos a dose no ano seguinte. Dependendo do grupo, para facilitar a vida e também para não engendrar ciumeiras e comparações, talvez a solução seja oferecer a todos a mesma coisa. Confeccionar a gente mesmo o presente – falo com as jeitosas, as que ainda sabem costurar, tricotar, bordar, esculpir a cerâmica, fazer bijuteria, bolsas, um doce ou assar um bolo gostoso – pode ser gesto delicado. Pode acontecer também de se achar o presente ideal onde menos se espera. Ao lado da igrejinha na praça do Capivari, em Campos do Jordão, um artesão de quem já comprei pequenas araucárias em cedro natural recortado como quebra-cabeças, faz um pequeno pinheiro enfeitado com bichinhos e, mais recentemente, criou um presépio no mais puro artesanato popular.
Na falta total de tempo ou de idéias, não se afobe. A CAU chocolates na Peixoto Gomide 1740, inaugurada este ano com sabores exóticos e nos moldes de design e qualidade dos melhores e mais modernos chocolates europeus, criou uma coleção natalina com deliciosos bombons, ao leite, amargo ou branco, em forma de estrelas, arvores, telhas, com frutas secas, castanhas e lindas guirlandas com rochedo em lindas embalagens.




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