POR UM DÉCOR MAIOR (22 de março de 2009)
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| Para os Condes d´Ornano, Henri Samuel criou o salão em estilo Napoleão III |
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| A boiserie nas paredes da biblioteca do decorador Jorge Elias já esteve no apartamento dos Wrightsmans em Nova York |
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| A casa do decorador em Paris - talvez seu trabalho mais moderno |
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| Henri Samuel |
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| Sua casa de campo, construída no século 18 |
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| Um dos salões do Château Margaux, em estilo Império suavizado |
Henri Samuel, aristocrata como seus clientes, soube interpretar como ninguém o estilo francês do século 19.
Tudo começou no boca a boca. E não demorou a que o style Samuel se tornasse conhecido entre os ricos refinados e aristocratas. Seja em Paris, Londres, Lisboa, Nova York, Palm Beach ou Los Angeles, o fato é que o francês Henri Samuel (1904-1996), filho de banqueiro e neto de um marchand de antiguidades, durante grande parte do século 20 encontrou seu nicho de sucesso na alta sociedade internacional. Sempre à vontade e seguro de si, pois era também representante de uma requintada e abastada família, só teve clientes do calibre dos Rothschilds, Vanderbilts, Wrightsmans, Gutfreunds, Sadruddin Aga Khan e Valentino.Depois de dois anos em Wall Street, poderia ter seguido, como o pai, a vida de banqueiro. Aos 21 anos, no entanto, já havia estagiado na Maison Jansen, com Stéphane Boudin, e os anos de banco só serviram para confirmar o que realmente estava fadado a fazer, ou seja, trilhar um caminho mais próximo ao do avô, no mundo da estética e das artes decorativas. Partiu do alto. Assessorar Boudin nos anos 20, o famoso decorador mais tarde escolhido por Jackie Kennedy para decorar a Casa Branca, terá sido a sua melhor escola. Tinha o dom de um olhar sensível e apurado. E, até abrir o próprio escritório, ainda ganhou experiência trabalhando para as Maisons Ramsay e Alavone.
Talvez nem ele mesmo soubesse definir o style Samuel, até porque fazia questão de não se repetir e não aceitava fazer ambientes similares uns aos outros. Procurava se adequar ao contexto e espírito do local, em geral, grandes mansões históricas, e aos que fossem ocupá-las, no mais das vezes donos de grandes coleções. O que soube fazer como ninguém foi ambientá-las em décor de sonho. Sua linguagem estética era decididamente eclética.
Foi considerado um dos primeiros experts em mesclar objetos, quadros e móveis de diferentes períodos e procedências. Justapunha pinturas abstratas a móveis Luís XVI e não tinha medo de colocar lado a lado peças Luís XIII e orientais. Um profundo conhecimento da história das artes decorativas legitimava sua ousadia e a interpretação liberta de dogmas e contemporânea dos estilos. Não tardou a que Henri Samuel passasse a ser visto como alguém capaz de sérios trabalhos em museus e monumentos.
Em sua própria casa, talvez a mais moderna das que fez na vida, uma townhouse em Paris, na Rue du Faubourg Saint-Honoré, pôs na parede uma grande tela de Richard Lindner em cima da mesa Império e a pintura Le Fruit d?Or, de Balthus, próxima a um console assinado por César, conhecido escultor francês. Junto a uma mesa de Diego Giacometti pôs cadeiras neoclássicas e, ao lado de um dos dois sofás pretos de veludo, poltronas de acrílico com detalhes em bronze de Philippe Hiquily.






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