O MIX QUE FAZ O ESTILO (11 de novembro de 2007)

Salão de 1970, com traços típicos
de Pahlmann: cores vibrantes,
estilos variados e abundância
de pratos e quadros nas paredes

Ambiente da loja Lord&Taylor (1939)






Salão dos anos 50, em que Bill
mistura verdes e azuis com móveis
de votrola pintados em f
also bambu e portas pele-de-cobra
Aquarela de ambiente com
lareira evidencia ousadia de Pahlmann

O decorador diante da cômoda
com portas forradas de oncinha

          

William Pahlmann, a partir dos anos 30, fez história na decoração ao misturar formas e cores destoantes.

Paredes cinza com molduras brancas. Sofás muito longos em estilo chesterfield modernizado e forrados de veludo cinza. Poltronas Luis XVI com a estrutura prateada e revestimento em couro cinza metálico. Verde esmeralda, azul real e amarelo crisântemo nas almofadas decorativas assim como nas costas das cadeiras. Pequenas mesas baixas como nos palácios islâmicos como apoio diante dos sofás. Tudo sob iluminação estudada e escondida. Foi assim que, com ares de cenário de palco, e na linha causar surpresa como faz hoje Phillip Starck, que Bill Pahlmann decorou o lobby de um grande hotel em Indianápolis nos anos 50.
Sem medo de usar cores conflitantes e estilos entre si destoantes, era um luxo descontraído, ousado e desinibido o desse americano nascido no Texas em 1900 e que foi sem dúvida um dos mais conhecidos e influentes decoradores do século XX em seu pais. Menos preocupado em trabalhar para os então chamados killer-chics e através de sua coluna sindicalizada A Matter of Taste e dos ambientes que criava para a loja de departamentos Lord&Taylor onde entrou em 1936 para ser o chefe do Departamento de Decoração, Bill Pahlmann foi confortavelmente criando fama e sendo, durante muitos, uma decisiva influencia na maneira de ser e parecer uma casa americana.
Apesar de ter cursado a Parson’s School em NY como tantos de seus colegas, e de ter passado um ano em Paris nos anos trinta aproveitando mais da efervescência criativa que a cidade vivia naqueles anos dourados entre guerras, do que sorvendo do passado europeu, o que de fato fez deslanchar sua carreira foi ter feito o apartamento em Beekman Place da primeira mulher do milionário William Paley, Dorothy, ao regressar e abrir sua primeira loja em NI em1931. Apesar da estranheza que causou a cabeceira de cama amarela no quarto da bem relacionada cliente, seu futuro estava traçado.
Bem experimental foi sempre sua atitude. Quando ainda garoto fazia os arranjos de flores na hospedaria que a mãe mantinha no Texas. Nos primeiros anos em Nova Iorque, para se manter, dançava em musicais da Broadway. Alto e bonito não era difícil participar dos “chorus lines”. Deixou-se influenciar pelo efeito cenário e o décor eclético dos palcos. Costumava dizer que não havia melhor maneira de trazer dramaticidade e vibração à vida das pessoas do que exagerando na cor e em suas variantes. Na Lord& Taylor criou ambientes com tendas de listras e inspiração napoleônica. Em 1938 trouxe para a loja o estilo sueco moderno com moveis de madeira clara. Ali, nos cantos e vitrines que decorava, se divertia contrapondo cores como o cuzco blue, o amarelo sulfuroso, o laranja, o limão, o fuccia, o verde garrafa, o cipreste desbotado e o terracota. Justapunha o móvel moderno ao antigo, o tecido luxuoso ao bem rústico. Adorava encher paredes com pratos e grande quantidade de gravuras. Seu estilo personificava a negação do clássico e libertação em relação aos movimentos modernistas da primeira parte do século 20. Usava elementos inesperados como por exemplo portões e grades no lugar de cabeceiras de cama e um brazeiro antigo com efeito de escultura. Não tinha medo de vinil no chão, de papeis laváveis nas paredes e de dar ênfase a rádios, toca fitas e à recém nascida TV. Agradando o inconsciente dos americanos da classe media emergente nessa des-construção do tradicional, fazia sucesso nesse pós guerra ao deixar para trás tudo o que lembrasse passado e tempos de depressão econômica. Viajava para se inspirar e catar elementos de efeito. Paises latinos como o México e o Peru foram boas fontes, mas não cairia no regional nem no étnico. Tornou os americanos conscientes de possuir um estilo próprio e assim tirou a batuta da mão daquelas conhecidas senhoras de boa família que desde o começo do século vinham decorando absolutas, mas sempre seguindo os ditames europeus. Sua decorações eram mais para quem preferia calças e suéteres de cachemira a vestidos longos e black-tie .
Em 1946 criou a William Pahlmann Associates e partiu para o décor de hotéis, de lojas como a Tiffany’s, lojas de departamentos como a Bonwit Teller e restaurantes como o Fórum dos 12 Cesares e o Four Seasons onde colaborou com o arquiteto Phillip Johnson.
Não achava que o cliente tivesse sempre razão como reza o conhecido adágio comercial. Dizia exatamente o contrário, que o cliente estava em geral errado: - Com a exceção da psicanálise não há outro campo de ação onde as personalidades de duas pessoas estejam tão expostas ao mais violento conflito ou à mais harmoniosa das cooperações como na decoração de interiores. Não era de gostar de gatos e muito menos de crianças.
Seu fim de festa deu-se lá pelos anos 70. Foi morar no México. De um lado o high tech vinha forte na nova linguagem dos decoradores. De outro, Sister Parish se firmava entre os velhos ricos trazendo de volta o look country house de luxo. E ao embalo dos novos e tantos milionários desses tempos de tanta prosperidade econômica instalava-se um novo estilo de opulência, por muitos chamado estilo Rothschild, através do olhar e da habilidade de figuras Dennis&Fourcade, Renzo Mongiardino e Geoffrey Bennison que, por sua vez, também já foram assunto nestas paginas.

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