IDEIAS QUE VÃO E VEM (14 de fevereiro de 2010)
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| Clarabóias de Isay Winfeld para uma casa nos Jardins |
Na decoração e no design, nem tudo é original. O segredo é saber reinventar as influências
Mesmo parecendo nova, qualquer ideia há de ter sido antes pensada. Pode surgir no momento em que é inconscientemente desejada, bemvinda, aparecendo como novidade ou solução. Muitas vezes, a criatividade de uma pessoa pode ser mais bem expressada por meio de outra. Não se trata de copiar ou imitar, mas de reinventar a seu modo e maneira – e acreditar no que se prega.Costuma-se dizerquehádois tiposdedesigners. Aqueles que admitem ter sido influenciados pelos que vieram antes e os que pretendem ter inventado o nunca antes pensado.Averdadeira mágica do arquiteto ou do decorador seria saber transformar influências e coisas que viu e gostou em algo original.
E como deixou dito Madeleine Castaing, a damadadecoração francesa,umpoucodenostalgia não faz mal. Permite que nos expressemos com coisas que vêm do coração. E, segundo Cecil Beaton, grande fotógrafo do século 20 e umespecialistaembeleza, “somenteumgosto muito individual pode, de fato, criar estilo ou moda. Se nada sai do lugar, o olho deixa de enxergar. A mutação é o que cria a beleza e a força da moda”.
Sorte que temos livros e revistas para provocar ideias e contar de outros tempos, publicações que compilam interiores passados e emblemáticos e que, até hoje, são influentes por trazerem, além de estilo e elegância, conceitos bem fundamentados. Os mais expressivos hão de ser de autoria dos que souberam ousar, dos que nasceram com talento, olhar apurado, o dom do gosto e com faro para captar tendênciase desejos.Écomumque,empaísesoucidades sem qualquer ligação entre si,umamesma ideia venha a surgir ao mesmo tempo.
Seja ela consideradaumaarte maior ou menor, o fato é que a decoração e o design são celeiro fértil desse vaivém de conceitos sob nova roupagem. Quem hoje pensar em usar tambores comomesinhas de frente ou lateral pode ficar sabendo que, nos anos 40, elas já faziam parte do décor da residência dos Duques de Windsor, em Paris. Almofadas em formato de cachorro não são novidade, mas enfileiradas e ocupando todo o encosto arredondado de um sofá no quarto de Wallys Simpson já denotavam a personalidade peculiar e o estilo dessa americana por quem o rei Eduardo VIII abdicou do trono.

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