FRESCOR NO OUTONO INGLÊS (28 de setembro de 2008)
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| Peças da coleção Landscape, de Patricia Urquiola |
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| Os desenhos de Patricia ganham dimensão |
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| Patricia Urquiola |
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| Luminária Chasen, que rendeu o Wallpaper Award |
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| A tampa decorada e a alça da chaleira são como esculturas |
Patrícia Urquiola promete ser o centro das atenções em exposição londrina, com as primeiras peças de porcelana.
Fenômeno da modernidade, exposição à mídia ou talento de verdade, o fato é que a espanhola Patrícia Urquiola já se afirmou como um dos maiores nomes do design contemporâneo. Com jeito doce, e um rosto que não revela seus 47 anos, é venerada por estudantes de design, é requisitada pelos mais importantes fabricantes de moveis e objetos contemporâneos, tem trabalhos nos principais museus de design e de arte moderna do mundo e é sucesso certo de vendas nas feiras de Milão.Junto com o outono londrino, em 10 outubro próximo, à beira do Tamisa, ela aterrissa no Design Museum, e vai ser o centro das atenções com a exposição, Landscape – Purely Porcelain, um conjunto de criações em porcelana branca que inclui jogos de jantar e de chá, alem de talheres e objetos de vidro. Foram dois anos de criação, de um processo conceitual rigoroso que vai, da idéia ao protótipo e, deste ao produto final, testado e pronto para o uso, percurso que a mostra pretende expor e explicar ao publico. Até 25 de janeiro de 2009 vai ser possível visitar a exposição e também, se cairmos de amores por alguma peça, comprá-la na loja do museu.
É a primeira vez que Patrícia trabalha com porcelana. E afirma ter gostado da experiência: “a cerâmica é menos um problema a ser resolvido do que aquele da estética e da resposta emocional a essa estética.” O que conseguiu foi juntar a simplicidade do branco e das superfícies lisas ou com texturas, com uma decoração errática, “as vezes preenchendo as formas e em outros momentos, delas escapando”. De acordo com o humor visual contemporâneo, criou um compendio sensual que junta o translúcido e o sólido, e mistura as linhas da cerâmica oriental com as da européia.
A coleção foi fabricada na manufatura de porcelanas Rosenthal, com o selo Studio Line, um programa de apoio a jovens e modernos designers que trabalham com o branco e com formas puras. As coleções Tac de Walter Gropius, a Drop de Luigi Coloni e a Moon de Jasper Morrison são parte dessa produção paralela.
Aos 12 anos, em Oviedo, na Espanha, onde nasceu, em 1961, Patrícia Urquiola já tinha na cabeça que seguiria o design. Na Politécnica de Madri, cursou a faculdade de arquitetura e, em seguida, partiu para mais estudos na capital do design, Milão, onde mora e trabalha até hoje. Ali cursou a politécnica, fez sua tese de mestrado assistida por Vico Magistretti e foi aluna de Achile Castiglioni que, percebendo seus dotes, a transformou em sua assistente. Em 1990 foi convidada a desenvolver produtos na fabrica de moveis De Padova. Foi quando deixou, para sempre, a vida acadêmica e teve espaço para deixar vir a tona os hoje inconfundíveis elementos e traços de seu estilo. Mais do que cuidar da experimentação forma versus material, ela foi além, dando asas à imaginação e à graça. Como mulher, foi mostrando ser capaz de pensar em todos os detalhes de uma casa e jamais descuidou do aspecto praticidade. Em 1996 virou chefe do grupo de desenho do Piero Lissoni Associates e em 2001, aos quarenta anos, abriu seu próprio estúdio, voltado ao desenho de produtos, à arquitetura, à instalações e à criação de conceitos.
Nas pegadas de celebridades como Philippe Starck, já desenvolveu uma infinidade de produtos para diferentes fabricantes. Variados, podem ser um relógio como o que desenhou para Alessi ou o sofá low land, a chaise longue fjord e a Antibody para a Moroso; uma cama para a Molteni, uma cadeira de palha para a Dríade ou aquela de plástico, a Frilly que mais parece um Myake, para a Kartell. As cadeiras empilháveis Lavensham, em plástico preto ou branco, com ou sem braços, fez para a De Padova. Para a Kartell criou também mesas de apoio. A serie, Lasy, de cadeiras projetou para a B&B e as luminárias Caboche e Bague, duas lindas invenções, são peças de sucesso da Foscarini. Hoje, madura e cinfiante, não lhe faltam oportunidades para transformar idéia em realidade.
Apesar de casada e com filhos, Patrícia é do tipo “non-stop”. Obsessiva, tem sempre, na cabeça, um projeto em gestação. De tantos, difícil contar em que proporção já foram transformados em produto final. Gosta de discutir com o cliente sobre os detalhes do objeto ou do móvel em questão. Não importa se, em seu estúdio, ou no do fabricante. Ao criar, com conhecido rigor, se preocupa com o comportamento das estruturas, com as técnicas artesanais e com aspectos da memória e de sua vida. À diferença da maioria dos homens, e a seu modo eclético e variado, ela vai em frente, sem muitos desejos premeditados pois, a seu ver, “o desejo, em geral, acaba virando frustração”.
É muito convidada a dar palestras em seminários. Tem também, em seu curriculum, vários prêmios. Em 2006, Patrícia Urquiola foi agraciada, com o Wallpaper Design Award. Foi com a Chasen, uma luminária de teto, que concorreu. Nela um mecanismo faz mexer as venezianas verticais da cúpula e, com isso, permite uma interessante variação na intensidade da luz. No ano seguinte foi a sua vez, como parte do júri, de julgar e apreciar o que fazem os outros. Aos jovens, aconselha que não percam tanto tempo estudando, como, com ela, aconteceu. Sugere que busquem referencias culturais, que defendam suas idéias e projetos, que criem uma fórmula própria, que sejam passionais e curiosos, e que, se necessário, não hesitem em procurar alguém que lhes possa ajudar a desenvolver a própria personalidade.





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