DÉCOR FEITO DE FRUTAS (28 de dezembro de 2008)

Lauretta
Mix de folhas contribui para
criar o cenário do réveillon
segundo o estilo de Lauretta

Folha de bananeira reveste um
vaso, detalhe que transforma
o recipiente para a champanhe
As ilustrações mostram como as
bananas se destacam nos arranjos
decorativos criados por Lauretta

          

Lauretta, ex-modelo, tem talento em mesclar o chique e o selvagem. Nesse arranjo decorativo, a banana é rainha.

Já pensou num punhado delas bem verdinhas, pousadas num belo prato de cristal, de preferência bem alto, com pé e bordas douradas, e por cima, espalhados meio a esmo, aqueles pacotinhos dourados que embrulham o marrom glacê? Pois a banana pode ser o centro das atenções, o foco decorativo, num cacho grande, circundada por velas douradas e tudo o mais que faça brilhar e tremular a luz ambiente. Pode ser posta, soberana, sobre a moldura da lareira, um espelho atrás, e sobre largas folhas e ramas de bananeira. Pois quem sabe mesclar, como ninguém, o refinado com o selvagem, a palha com o vermeil, o pano africano com cristais, e fazer da folha da bananeira um invólucro sofisticado, para um peixe ou carneiro feito ao forno, ou para revestir o balde de champanhe, ou forrar a cestinha do pão crocante, ou o que a imaginação determinar, é a famosa Loretta, tão amiga do Brasil, onde tem amigos do peito e raízes bem plantadas.
Meio sueca, meio martiniquenha, a bela Loretta teve o seu tempo de passarelas, desfilando para as Maisons Courrèges e Ungaro. Foi responsável pela discoteca Regine’s no Rio de Janeiro, é autora de um livro de receitas afrodisíacas e já foi diretora de comunicação das lojas Tati, onde tudo se vendia de mais belo para a casa. Adora gente, adora receber e, sobretudo, cozinhar para os amigos. É hoje casada com um dos maiores decoradores e antiquários de Paris, Allan Demachy, e é dona de uma das mais belas e mais bem decoradas casas de Paraty, um dos bons motivos que tem para, volta e meia, vir ao Brasil.
Apaixonada pelo que de belo e bom surgir à frente, é mestra em bater perna em feiras e brechós parisienses, com olhar afiado atrás de tudo o que lembre os trópicos, o sol e a vegetação pujante. Compra gravuras coloniais antigas, máscaras africanas, objetos orientalistas e exóticos. E não resiste aos boubous vendidos pelos camelôs africanos nas cercanias dos mercados de antiguidades em Paris.
Pois foi forrando mesas e bufês com esses panos de algodão e estamparia exótica, folhas de palmeira e bananeira e cachos de banana, que Loretta organizou, há quase quinze anos, no pequeno apartamento em que morava em Paris, um famoso e inesquecível reveillon tropical, com ares de selva e luxo de marajá, para um grupo seleto de amigos. Esse cenário, clicado pela Maison Française, que até hoje não perdeu beleza nem frescor, pode nos servir de inspiração e também de prova de que o belo e de boa cepa não envelhece. Sem preconceitos, Loretta soma e mistura: cores, formas e matérias. Os quadros africanos na parede servem de pano de fundo do bufê, e uma toalha antiga de linho bordada, sem problemas, vai por cima do boubou africano que já veste toda a mesa. A saladeira brasileira de madeira encosta na bandeja de prata da “Artcurial”, os talheres de servir são de bronze e, a cafeteira, de prata, é de François-Xavier Lalane. Os garfos e facas com cabo de cristal torneado e azul, puxam o azul da porcelana, e tudo vai girar em torno de um magnífico centro de mesa em vermeil. E, sem sair do tema, os belos guardanapos com borda rendada tem, a porta-los, pequeninos cachos de banana ouro ainda verdinhas, e nelas, pousada, uma orquídea vermelha. Sobre uma cadeira próxima, a pele verdadeira de tigre contribui para o clima floresta tropical. Um sofá, cadeiras de jardim e algumas de dobrar vão acolher, com naturalidade, os doze felizes convidados. E tudo vai começar com um “punch” de limão verde. Para beliscar e despertar o paladar, apenas pistaches e cerejas. Depois, porque o que vale é misturar sabores, odores e agradar aos sentidos, um gigot d’agneau a l’etouffée com creme de gengibre. A sobremesa tinha também de ser de fruta exótica: a eterna e sempre bem vinda musse de maracujá com sementinhas e calda caramelada. E, ao sabor do menor de todos pecados, o bom vinho francês, mas sem esquecer que no estourar da meia noite será o champagne o comandante, dando as boas vindas ao ano entrante. 

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