BELEZA RARA NO VELHO BEXIGA (28 de outubro de 2007)
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| Lustres Tulipa no box de luminárias de Mônica Pimentel |
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| Cadeiras azuis que, apesar de detonadas, têm desenho original e bom preço, que compensa o gasto com a restauração |
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| Barracas, que têm um pouco de tudo |
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| Rinoceronte de 1939, bem déco, acompanhado por gravuras tchecas do século 17 |
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| Livros sobre São Paulo |
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| Relógio art déco e a bombonière são peças pouco comuns, especialmente decorativas |
A feira de antiguidades do tradicional bairro guarda surpresas para apreciadores de decoração.
Se o domingo for de sol não esqueça do chapéu, pois o passeio pelos canteiros centrais da Feira do Bexiga e pelas lojas de antiguidades nos arredores da Praça Don Orione pode durar boas e longas horas. Não deixe também de levar uma sacola de pano pois certamente você não vai voltar para casa de mãos abanando e vai ser mais confortável carrega-la do que aquelas de plástico, muitas vezes sujas e rasgadas oferecidas pelos vendedores.Se estiver mobiliando casa nova, porque não ir atrás de novidades que podem muito bem ser um móvel de segunda mão ou um velho objeto que resistiu ao tempo, de bela forma ou design e que vai ser original, posto que é achado seu, individual, e não ao alcance de todos como nas lojas da cidade. O preço certamente será melhor. Um olho bem aguçado vai ajudar, e também a disposição para um eventual e necessário restauro na peça comprada: pintura, limpeza ou banho no metal.
Diz o ditado que “ coisas de qualidade não temem a passagem do tempo”. E fato é que, mesmo num casa contemporânea e mobiliada com moveis e complementos modernos, a presença de algum móvel ou objeto antigo pode ter papel importante, ou seja, ao ligar-nos ao passado, trazer algum sentido de continuidade num mundo cada vez mais impessoal.
Numa cidade como São Paulo, cujo passado não é tão grande quanto poderia fazer crer o seu tamanho, não haveremos de encontrar antiguidades seculares como em feiras européias. Encontraremos, no entanto, e partindo do principio que tecnicamente é antiguidade tudo o que tenha atingido cem anos, um passado paulista colorido pela influencia da imigração e pela realidade de uma sociedade emergente onde o dinheiro foi mudando de mãos e muito rapidamente foram sendo adotados novos usos e costumes.
Há vinte anos Ramon Navarro, com Jane, a mulher bem mais jovem, se dedica a vender torneiras antigas, puxadores (com os quais você poderá acrescentar charme a um móvel mais recente), maçanetas, chaves e cadeados (há quem os colecione), cabideiros e ganchos. Sua pequena empresa, que também faz copias, se chama Museu do Puxador (9888-0066). Difícil não encontra-los domingo no Bexiga, nos boxes 147/148 ou aos sábados na Praça Benedito Calixto em Pinheiros.
Ao lado de Ramon, o feirante José Gordo (9629-7404) tem duas peças curiosas e bem antigas; um aparelho para retirar o caroço do algodão e um desbulhador de milho. Tem também uma mesinha de ferro pela qual pede duzentos e cinqüenta reais e que se pintarmos de dourado vai se confundir com as neo-barrocas francesas assinadas, de autor e tão na moda. Também, para mais desse look meio ”barbare” como é chamado na França e no linguajar do decor, você pode também dourar antigas cadeiras e mesas de ferro de jardim, fácil de encontrar na Feira e a bom preço.
Não esnobe as barracas com roupas “vintage”. Um velho casaco de pele de onça pode servir para forrar um banco ou assento de cadeira e o tecido antigo de seda de algum kimono japonês pode se transformar em belas almofadas. Mesmo que esteja a cata de moveis ou acessórios – às vezes é possível encontrar lustres de metal anos 50 e 60 em bom estado- não deixe de prestar atenção aos talheres, mesmo que desconjuntados. Pode encontrar belas colheres inglesas e talheres de servir originais e que vão ajudar a enfeitar uma mesa de bufê. E porque não levar para casa copos ou pratos diferentes que misturados aos seus podem dar graça a sua mesa ?
Cuidado com os falsos espelhos venezianos, tão “in”, fossem eles originais ou de melhor qualidade. Peças de murano também a dar com o pé. Suponho que haja demanda, tal a quantidade a disposição. Hora talvez de pensar em outras modas. Prazer vai ser se deparar com uma bombinha rodoro de lança perfume de 1958, dourada e cheia, um prato lalique bem redondo, um vidro bacarat com o perfume Mitsuki da Guerlain, ainda fechado e dentro da caixa original, ou com o relógio com banho de ouro do século XIX com a cara da Rainha Vitória. O dono dessas graças é Hiran Frazão( 9126-4400).
Se o seu interesse for colecionar garrafas haverá de todas as cores e tamanhos. Relógios também aos montes. Lindo, um bem decô em forma trapézio que ainda funciona e custa oitocentos reais e que encontrei ao lado de uma bombonière de faiança listrada e tampa de metal da mesma época. Seus donos, Carlos ou João (9159-8174) tem também e de apaixonar, um paliteiro de prata portuguesa por mil reais, onde uma casca de ovo é o recipiente, e uma linda garrafinha inglesa banhada em prata, daquelas de antigamente se levar uísque no bolso. Outra peça, já bem mais rara e para colecionador, é um sextante marítimo do século XIX – hoje um GTS- que permitia ao barco se localizar no mar. O dono dessa preciosidade que está em sua caixa de madeira original, é o Décio (6258-4996) que tem também à venda um alarme de ferrovia, daqueles que avisava quando o trem vinha chegando e que pode funcionar como quadro, peça aliás facilmente confundível com trabalhos de arte contemporânea.
De repente uma chaise longue de dar vontade de recostar. Já forrada com camurça, dispensa futuros gastos, é de autor desconhecido, talvez dos anos cinqüenta e custa mil e cem reais. Marco e Cláudio (9592-1264/9591-8480) que tem uma loja na Bela Vista e que se chama Bagulhinho, tem também moveis do designer Jorge Zalzupin. Não longe dali, um fogão a carvão de 1910 e que custa setecentos e oitenta reais vem com um tesourão que na verdade é o pegador de brasa. É nacional e todo de esmalte. Ao lado, uma bacia que hoje poderia ser um balde de gelo para champagne, ou simples cachepot, é também de esmalte. Otacílio (9138-1242) pode dar mais dicas.
Ali colado, um par de lindas cadeiras a sessenta reais. Verdade que detonadas, mas lindas em originalidade e proporção.Tivesse lugar em casa, as compraria correndo. E um baú azul como elas, dos tempos da imigração, portanto, segundo João (6943-4075) só pode ter vindo da Itália, Espanha ou Portugal.
Deu vontade de voltar para um rinoceronte de faiança e base de mármore de 1939 que não me saiu da cabeça. Seu dono é o Gustavo, (3479-5497) que, de seiscentos, baixou o preço para quatrocentos reais. É preciso resolver na hora, foi o que ouvi de Natan Kremer Neto quando não tinha mais o lindo balde de gelo dos anos 70 por quarenta reais que, antes de deixar a Feira, voltei para comprar.
Não é preciso deixar a sua nova mesa de frente de sofá vazia ou destituída dos caros e belos “coffe table books”. Na Feira haverá deles em vasta escolha, tema, tamanho e aparência. Alem de livros sobre arte brasileira, Antonio(9254-4960) tem em seu box 275 uma rara coleção de livros sobre São Paulo, sua estória e seus costumes. Já no espaço 27, de Mary Teixeira (6567-3556), você vai poder encontrar exemplares das mais variadas revistas de antigamente como a Fon Fon, Armário das Senhoras, Jornal das Moças, A cigarra, a Revista da Semana e a Eu Vi, muitas das primeiras décadas do século vinte e em relativo bom estado.
Viajar no passado pode ser hoje um brinquedo divertido. Imaginar o que fazer no presente com dois entalhes do século XIX retirados por um padre de uma igreja em Quelus, no Vale do Paraíba, que achou mais barato faze-los novos do que restaura-los e, pelos quais, Jorge(012-3637-5417), o dono de um antiquário de Pindamonhangaba, pede cinco mil reais, pode ser um desafio. Na Europa estariam classificadas como “architectural antiques”. Pensei em sanefas para cortinas, na moldura de um grande espelho, ou mesmo apenas penduradas na parede acima de um sofá. Divirta-se você também, nesta feira onde, não raro é possível encontrar conhecidos “marchands” e antiquários perambulando a cata de “nova” mercadoria.






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