AFINAL, É FORMA, FUNÇÃO OU ARTE? (20 de setembro de 2009)
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| O Sculpt Wardrobe, uma criação de Marteen Baas, datada de 2007, em foto de Maarten van Houtent |
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| A Lathe Chair, de Sebastian Brajkovic, de 2008, pode não ser prática no dia a dia mas já virou peça de museu |
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| The Fig Leaf - Folha de Figueira - é o nome desse armário de Told Boontje feito com galhos de bronze e folhas esmaltadas |
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| A poltrona Pixelated, com detalhes picotados, é de Junger Bey e faz pensar na ampliação digital de uma cadeira do século 18 |
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| A Flower Pyramid é de autoria de Alexander Van Slobbe |
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| Cinderella, mesa tridimensional feita por Demakersvan e Jeroen Verhoven |
Mostra em Londres busca, por meio das peças de uma nova geração de criadores, explicar o que é o design art
Design Art. Um gênero novo ou apenas mais um conceito sem muito sentido criado pelo mercado de arte?Segundo Tord Boontje, nascido na Holanda e um dos mais importantes expoentes do design atual, o design moderno, no século que passou, foi saqueado pela agenda minimalista. E só recentemente estaria sendo possível observar a emergência de uma nova geração de designers com trabalhos que coletivamente poderiam ser descritos como “design art”. Pois é este o tema da exposição TELLING TALES, com curadoria de Garret Williams, inaugurada em julho no Museu Victoria & Albert em Londres e que ali deve permanecer até meados de outubro.
Era preciso um termo para descrever o que não pode ser definido simplesmente como artes plásticas, design funcional ou puramente artesanato, ou seja para qualificar um produto que soma esses três aspectos e que é criado sem o intuito de ser produzido em grande escala ou com finalidade mercadológica.
São obras que poderiam ser tomadas, segundo Garret Williams, como manifestos ou declarações individuais de designers, baseados em agendas mais próprias do que aquelas do mercado e da industria. Teriam um aspecto muito mais simbólico e decorativo do que funcional ou pratico, mais a ver com o objeto de arte para ser contemplado. Mesmo que a fabulosa cadeira de Sebastian Brajkovic’s, a Lathe Chair agüente bem o peso de seu dono, Williams questiona se alguém consideraria usa-la no seu dia a dia? Seria uma escultura ou simplesmente a impressão de uma cadeira? Na sua opinião não seria uma coisa nem outra, mas simplesmente a fusão de conceitos abstratos com a idéia de um objeto prático.
Outra característica dos moveis e objetos “Design Art”, é que eles vem sendo tratados pelas galerias comerciais e casas de leilões como peças quase únicas. Numeradas e de edição muito reduzida, seriam portanto mais atraentes para o colecionador. Muitos desses trabalhos já fazem parte do acervo de museus. Tem em comum também o fato de muitas vezes serem feitos com o intuito de experimentar para o futuro novas técnicas e materiais que seriam hoje muito caros para a produção em massa. É o caso da impressão tri-dimensional e da fibra de carvão. Muitos designers parecem estar também voltando a usar materiais luxuosos e técnicas artesanais do passado. O que Garret Williams quis na exposição do V&A foi justamente mostrar peças que evidenciassem a resposta de certos designers contemporâneos à tradição, ao design histórico de moveis, fazendo um link proposital entre o passado e o futuro. Mesmo que fundamentados na história, os designers podem nos propor moveis com as formas as mais surpreendentes e inusitadas. Um exemplo é a maravilhosa Cinderella Table de Jeroen Verhoeven onde é possível encontrar traços de moveis do século 18 que ele fundiu com a ajuda da mais alta tecnologia computadorizada para obter um produto tridimensional totalmente novo.
Esse re-trabalhar as formas históricas, como se pode observar na exposição, está presente também na criação de objetos, inclusive de cerâmica. Nada menos minimalista do que As Pirâmides de Markum, um grupo de tulipeiros feitos em fina terracota esmaltada pela manufatura de porcelanas Royal Tichelaar Markum, antiga de 13 gerações. Os designers dessas e outras peças são autores com referencias as mais contemporâneas como Hella Jongerius e Jurgen Bey, associados ao grupo holandês de design Droog, um dos mais influentes no design internacional desde os anos 90.
A cadeira Pixelated de Junger Bey, por exemplo, lembra uma ampliação digital de uma fotografia de cadeira do século 18 com detalhes picotados em pequenos blocos. Há os trabalhos do Studio Job, feitos a mão e com material caríssimo como aqueles que compõem a coleção Robber Baron, cinco pecas de mobiliário em bronze que ao evocarem as criações do ebenista francês André-Charles Boulle de 1700, questionam os conceitos de poder e de gosto.
São de origem holandesa a maioria dos designers com obras ali expostas. Tord Boontje’s, nascido na Holanda mas baseado em Londres onde estudou e é hoje professor de produtos de design no Royal College of Arts, está presente com a sua fenomenal Fig Leaf, uma criação de tirar o fôlego, com galhos em bronze esmaltado. Pretensamente um armário, é mais um display de virtuosismo artesanal e de design.
A mostra Telling Tales, que tem como subtítulo “fantasia e medo no design contemporâneo”, é dividida em três setores: The Forest Glade, The Enchanted Castle e Heaven&Hell. Nesses espaços distintos, um design extremamente criativo ora se dedica à idéia de contar estórias, ora a entrar no mundo da fantasia e dos sonhos, ora ao desejo de viajar na trajetória dos estilos. Faz conceituações sobre a total liberdade de uma criação pautada apenas na imaginação e parodia sobre nossas preocupações em relação a morte. A parte denominada Enchanted Castle é a que mais deverá interessar aos aficionados das artes decorativas. Percebe-se ali uma comum e nítida preferência dos designers em evocar o século 18, período em que o estilo e o design formavam uma só linguagem visual, quando era aparente a sintonia entre proporção e uso do material, e a estética era muito indicativa do status e do posicionamento de um indivíduo na sociedade. Foi o século também da emergência do romance na literatura. Romancear e fantasiar o interior domestico podem funcionar como um escape em tempos de recessão. Mesmo que possa não ser opinião unânime, o curador da exposição, Garret Williams, acredita que todos esses novos artistas designers estão produzindo obras dotadas da excelência e das qualidades necessárias para, transcendendo às oscilações da moda e dos ciclos econômicos, se perpetuar no tempo.






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